2 fevereiro 2026

Mãe de jovem morto por facção relata dor diária após 10 meses e espera por julgamento dos acusados

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João Vitor foi atraído por uma amiga que o levou até a facção criminosa — Foto: Reprodução

Dez meses após a morte de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, a mãe do jovem, Maria Verônica Bezerra da Silva, ainda convive diariamente com o luto e a ausência do filho. Em entrevista, ela desabafou sobre a dor da perda e a espera pelo julgamento dos acusados pelo crime.

“Ele era meu parceiro. Sou mãe solo e enfrentei tudo sozinha desde a gravidez para criar e educar meu filho. Esse foi o primeiro Natal sem ele e um dos piores momentos da minha vida”, relatou Maria Verônica.

João Vitor foi encontrado morto no dia 11 de março de 2025, dentro do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, três dias após ter desaparecido. Segundo as investigações, o jovem foi atraído por uma amiga até membros de uma facção criminosa, onde acabou sendo brutalmente executado.

Criador de conteúdo nas redes sociais, João Vitor produzia vídeos de humor e havia sido sorteado para cursar eletricista pelo Senai, segundo contou a mãe. Após o crime, Maria Verônica precisou de acompanhamento psicológico oferecido pela Secretaria Estadual da Mulher (Semulher) para lidar com o trauma.

“Tem dias que preciso me segurar para não imaginar o sofrimento dele na hora da execução. Eu me apego muito a Deus para tirar esses pensamentos, mas não é fácil”, afirmou.

Espera por justiça

De acordo com a Polícia Civil, 15 pessoas já foram presas por envolvimento no assassinato. O delegado responsável pelo caso, Heverton Carvalho, informou que o júri popular dos três primeiros acusados está previsto para ocorrer em fevereiro.

A mãe do jovem disse que se prepara emocionalmente para enfrentar o julgamento, mesmo sabendo que o processo pode intensificar ainda mais a dor, já que provas do crime devem ser exibidas, incluindo um vídeo gravado pela própria facção.

“Era um menino muito bom, meu companheiro. Estou aprendendo a viver com essa dor, mas nunca vou esquecê-lo. Lembro como se fosse hoje do dia em que ele saiu de casa pela última vez”, disse.

Relembre o caso

João Vitor, de 21 anos, foi achado morto — Foto: Reprodução

João Vitor desapareceu no dia 8 de março de 2025, após sair de casa sem informar para onde iria. Três dias depois, o corpo foi encontrado às margens do Rio Juruá.

As investigações apontam que o crime teria sido motivado por um episódio ocorrido cerca de um mês antes, quando João Vitor ajudou a imobilizar um homem durante uma abordagem da Polícia Militar, no centro de Cruzeiro do Sul. A ação foi registrada em vídeo por populares.

Segundo a Polícia Civil, após ser liberado, o homem imobilizado teria cobrado da facção criminosa uma punição contra João Vitor. Essa cobrança teria dado início às ações que culminaram no assassinato.

Ainda conforme o boletim policial, João Vitor foi chamado por uma amiga, Maria Francisca Fernandes Lima, de 27 anos, para uma conversa. Ele foi levado de carro por aplicativo até o bairro Cohab, onde teria sido submetido ao chamado “tribunal do crime” antes de ser executado.

Informações via g1 Acre.

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