Lucas Paquetá foi apresentado oficialmente como jogador do Flamengo na tarde desta segunda-feira (2/2), no Ninho do Urubu. O meia voltou ao clube após sete anos na Europa e concedeu entrevista coletiva um dia depois de estrear na derrota para o Corinthians, pela Supercopa do Brasil. Durante a apresentação, ele explicou os motivos da escolha pelo retorno ao Rubro-Negro, falou sobre o momento pessoal e comentou a atuação no primeiro jogo desde a reestreia.
Paquetá afirmou que a decisão foi pautada principalmente por questões pessoais e emocionais, mesmo diante da possibilidade de seguir atuando no futebol europeu. “Primeiro, é impossível eu não falar de felicidade, porque minha decisão foi voltada nisso. Tive outras oportunidades de continuar na Europa e na Inglaterra. O motivo de eu me sentir bem e feliz é que me fez ter essa primeira decisão de voltar ao Flamengo. Segundo, todos sabem como eu amo esse clube, cresci aqui, é a minha casa. Obviamente pelo momento que o clube vive financeiramente, os resultados falam por si, um ano vitorioso. Isso fazia meus olhos brilharem para que eu pudesse fazer parte disso”, disse.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Paquetá vai usar a camisa 20 no retorno ao Rubro-Negro.Adriano Fontes/Flamengo Lucas PaquetáReprodução/Flamengo O meio-campista está com a Seleção Brasileira para os amistosos contra Senegal e Tunísia.Reprodução/@lucaspaqueta
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Na sequência, o jogador voltou a citar a ligação com o clube onde foi formado. “Eu vou ter que usar uma música: ‘só quem é rubro-negro para compreender’. É um amor que eu sempre tive, eu cresci aqui, é a minha casa. Eu queria voltar para casa. É sentimento, é identidade. É o que eu sinto.”
A negociação foi conduzida com participação ativa do atleta. Paquetá deixou claro desde o início o desejo de retornar ao Flamengo, arcou com custos logísticos para antecipar a chegada ao Rio de Janeiro e recusou propostas mais vantajosas financeiramente.
“Eu posso dizer que fiz o possível e impossível. Nada seria possível sem o Flamengo e o que o clube apresenta hoje de estrutura. Fiz o que eu podia e o que eu não podia. Primeiro por mim, pela minha felicidade e da minha família. De voltar para casa, me sentir bem novamente jogando no Flamengo. Era o que eu queria, isso não mudaria”, constatou.
O meia também explicou a escolha pelo clube carioca mesmo diante de uma oportunidade de disputar a Champions League. “Todos sabem que tive possibilidade de permanecer na Europa, com proposta do Chelsea e possibilidade de jogar Champions League. Eram sonhos que coloquei na balança. Tinha esse sonho vivo de jogar a Champions League, fiquei sete anos na Europa e não tive essa oportunidade. Agora ela surgiu, mas também tinha o sonho de voltar ao Flamengo, brigar por títulos, ter uma história vencedora. Optei por essa porque sei que aqui serei feliz”, pontuou.
Durante a entrevista, Paquetá falou sobre o período fora do país e o impacto dessa trajetória na sua maturidade profissional e pessoal: “Eu volto uma pessoa diferente, obviamente. Eu cresci não só como profissional, mas como ser humano também. Me tornei pai, tenho uma família. Volto mais experiente, em todos os lugares por que passei aprendi um pouco, procurei evoluir. Volto mais cascudo no sentido de aprender a lidar com as situações que eu vá vivenciar. Mais preparado para lidar com tudo.”
O jogador também comentou a chance perdida nos minutos finais da Supercopa, quando entrou no segundo tempo e teve uma oportunidade clara de marcar. “Mais cascudo não quer dizer que é mais fácil. Eu não consegui dormir (depois do gol perdido). Eu me cobro muito. Mais cascudo porque hoje é um novo dia, eu tenho que estar de cabeça em pé, sei do meu potencial e sei do que posso entregar ao Flamengo”, afirmou.
Ainda sobre o jogo, ele detalhou o contexto da estreia: “Óbvio que eu queria chegar e ser campeão. Tudo o que eu fiz para estar aqui nesse jogos, eu paguei o avião, abri mão do meu salário no West Ham, e muitas coisas que as pessoas não sabem. Eu queria chegar e ter essa oportunidade, mas não foi da maneira que eu esperava.”
Paquetá também abordou a condição física no retorno: “Foi quase um mês parado, mas queria muito estar nesse jogo, nessa estreia, disputar um título. Fiz o que pude, me coloquei à disposição mesmo com dois dias de treino. Não foi da maneira que eu gostaria de estrear e me cobro por isso. Mas pretendo o quanto antes encontrar o melhor nível físico porque sei que as coisas vão acontecer naturalmente e vou ajudar o Flamengo.”
Sobre o entrosamento com os novos companheiros, o meia afirmou que o processo está em andamento: “Está cada dia melhor. O dia a dia e os treinos são para isso. Acho que com o tempo vamos nos entendendo fora e dentro de campo. Espero que seja um ano vitorioso.”
Questionado sobre planos de carreira e reações da torcida adversária, Paquetá destacou o compromisso com o contrato firmad: “Meu objetivo é cumprir o meu contrato, fazendo o meu melhor e ter uma história vencedora por isso cinco anos, porque sei que vou ter oportunidade de ganhar títulos e comemorar com a torcida. Faz parte do futebol, quando eu ganho eu danço. As pessoas podem comemorar da maneiras que elas querem.”
Além disso, o jogador descreveu as primeiras sensações desde o retorno ao clube: “Muita euforia, alegria de todos de me ter de volta e eu de estar aqui reencontrando todos. Foi corrido, foram só dois dias de treino, ainda me adaptando na situação de casa, ainda preciso ajeitar alguns detalhes. Mas não deixando de comemorar de estar aqui.”
Ao falar sobre a condição física atual, ele explicou o período de inatividade: “Às vezes acham que eu não tive dores nas costas, mas eu tive. Além da negociação, eu optei por me preservar e cuidar de mim. Na última semana de negociação foi mais pela negociação mesmo. O ruim é que eu fiquei muito tempo sem treinar, sem jogar.”
Paquetá também comentou sobre a possibilidade de atuar em diferentes funções em campo. “Gosto de estar no campo, ajudando meus companheiros. Fazer mais de uma função me torna privilegiado e talvez dê uma certa vantagem de estar dentro de campo. Conversei com o Filipe muito sobre isso e disse que estou à disposição para ajudar”, contou.
Ao abordar o lado torcedor, o meia não escondeu a frustração pelo resultado recente: “Paquetá torcedor ficou puto, desculpa a palavra. Ainda mais comigo mesmo. Eu entendo e faz parte. Eu estou onde eu queria estar.”
O jogador ainda falou sobre o período vivido na Europa, incluindo o processo que enfrentou fora de campo. “Durante todo o processo do julgamento e tudo que aconteceu eu tive a possibilidade de voltar ao Flamengo, mas quis permanecer e resolver. Isso foi feito. Fico muito feliz de ter provado a minha inocência”, desabafou.
Por fim, Paquetá destacou o papel da família na decisão pelo retorno. “Minha esposa foi quem ficou ao meu lado segurando a minha mão. Nada mais justo do que escutar ela. Fiquei feliz quando ela falou que queria voltar. Uma decisão conjunta”, explicou.
Lucas Paquetá foi oficializado pelo Flamengo na última quinta-feira (29/1) e assinou contrato por cinco anos. Ele reencontra o Maracanã na próxima quarta-feira (4/1) , contra o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.






