Uma entrevista exclusiva da jornalista Patrícia Calderon para o portal LeoDias com o delegado Ulisses Gabriel, Delegado-Geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), nesta quarta-feira (04/2), detalha os elementos que fundamentam o indiciamento do responsável pela morte do cão comunitário Orelha. À frente das apurações dos casos Orelha e Caramelo, o delegado afirmou que a polícia já considera haver indícios suficientes para atribuir a autoria do crime a um adolescente identificado apenas como M., enquanto outras possibilidades seguem sob análise técnica.
Segundo Ulisses Gabriel, M. já foi posicionado na cena do crime por meio de imagens, depoimentos e outros elementos reunidos ao longo do inquérito. A investigação também avança na extração de dados dos celulares apreendidos, um procedimento técnico que envolve grande volume de informações. Esses dados devem indicar o posicionamento dos envolvidos na madrugada do crime e confirmar se outras pessoas estavam no mesmo local e horário.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Adolescente acusado de matar o OrelhaReprodução / Globo Menores envolvidos no caso OrelhaReprodução / Portal LeoDias Casinha onde o cão Orelha vivia recebe homenagensCréditos: @mmalupires (ig) | @myhoodbr Cachorro Orelha foi vítima de agressões e morreu em Florianópolis (SC)Crédito: Reprodução Instagram @julinhocasares Cão OrelhaReprodução: Instagram
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De acordo com o delegado, caso os dados revelem que outro adolescente, identificado como I., estava com o celular no mesmo ponto naquele momento, o cenário poderá ser reavaliado. Até agora, porém, a linha principal da investigação segue concentrada em M., com a conclusão inicial do caso sendo encaminhada ao Ministério Público com indicação de autoria.
O indiciamento, segundo Ulisses Gabriel, está sendo feito com base no crime de maus-tratos a animal, cuja pena é a mesma prevista para casos envolvendo cães e gatos, independentemente de o animal ter sobrevivido ou não. Ele reforçou que outros episódios investigados na região, como ocorrências relacionadas ao chamado caso do caramelo, são tratados separadamente e não têm relação direta com a morte de Orelha.
Durante as diligências, a polícia apreendeu um moletom e um boné associados a M., recolhidos no aeroporto após o retorno de uma viagem ao exterior. As peças foram vinculadas ao adolescente por meio de imagens registradas anteriormente. Não foram encontrados vestígios de sangue nas roupas, mas, conforme explicou o delegado, a hipótese investigada é de que a agressão tenha ocorrido com um objeto contundente, possivelmente um pedaço de madeira.
A linha adotada pela polícia é de que o animal, já idoso, teria sido provocado e reagido, o que levou à agressão fatal, possivelmente com apenas um golpe. Durante o depoimento, M. apresentou diversas contradições, negando inicialmente o consumo de álcool, o furto e a depredação de um quiosque, versões que entraram em conflito com outros elementos colhidos na investigação.
Também foram identificadas divergências sobre a origem do moletom apreendido, com versões distintas apresentadas por M. e por sua mãe. Além disso, surgiram inconsistências sobre a relação entre M. e I., descrita por um como próxima e por outro como distante. Esses pontos, segundo Ulisses Gabriel, foram considerados relevantes na avaliação da credibilidade dos depoimentos.
Com base nesses elementos, a Polícia Civil finaliza o relatório do Caso Orelha para encaminhamento ao Ministério Público, mantendo a apuração aberta para a análise dos dados técnicos pendentes, especialmente aqueles extraídos dos aparelhos celulares.






