10 fevereiro 2026

Manobrista recebia instruções pelo WhatsApp para usar químicos na piscina onde professora morreu

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Sem formação técnica ou curso específico, o manobrista apontado como responsável pelo tratamento da água da piscina da Academia C4 Gym afirmou à polícia que seguia orientações repassadas por mensagens de WhatsApp. Foi na piscina do estabelecimento, localizado no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo, que a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, nadou, passou mal e horas depois morreu por suspeita de intoxicação.

Identificado como Severino Silva, de 43 anos, o funcionário prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10/2) no 42º Distrito Policial. Segundo o relato, ele atuava no local há cerca de três anos como ajudante-geral e acumulava funções, incluindo o apoio na manutenção da piscina, mesmo sem qualquer capacitação profissional para lidar com produtos químicos.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Produtos utilizados na piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução Produtos utilizados na piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução Severino Silva, manobrista responsável pela manutenção da piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução

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De acordo com a investigação, Severino recebia instruções remotas de um dos sócios da academia sobre como realizar a limpeza e o tratamento da água. O delegado Alexandre Bento afirmou que o funcionário apenas executava determinações repassadas pela administração do estabelecimento.

“Ele mandava mensagens, fazia medições da piscina e enviava fotos da piscina e das medições. Um dos sócios da empresa dava as orientações e dizia: ‘Põe uma proporção tal de cloro, proporção tal de elevador de pH e dos produtos’. Tudo era feito à distância, sem nenhum contato presencial”, disse o delegado.

Ainda segundo a polícia, Severino não possui nenhuma qualificação técnica para exercer esse tipo de atividade. Os investigadores analisam o conteúdo das conversas trocadas por WhatsApp e apuram se mensagens ou arquivos podem ter sido apagados.

Academia interditada
A academia segue interditada enquanto as apurações continuam. Uma das hipóteses analisadas é a possível substituição recente dos produtos químicos utilizados na piscina por outros mais concentrados e de custo reduzido.

O delegado também destacou que a mistura de cloros de marcas diferentes é considerada inadequada e pode provocar reações químicas perigosas. Até o momento, não há laudo conclusivo sobre a causa da morte de Juliana. O exame de necropsia ainda está em andamento, e a perícia deve esclarecer o tipo de substância utilizada, além da concentração e da qualidade dos produtos aplicados.

Em depoimento, o funcionário relatou que preparava a mistura química em um balde e deixava o recipiente na borda da piscina. A aplicação na água, segundo ele, costumava ser feita pelos professores ao final das atividades do dia. Para a Polícia Civil, há indícios de crime, e a investigação agora busca individualizar as condutas e apontar responsabilidades.

Além da professora que morreu, outras nove pessoas participavam da aula. O marido de Juliana, Vinicius de Oliveira, permanece internado em estado grave na UTI. Um adolescente de 14 anos também segue hospitalizado, respirando com o auxílio de aparelhos. Outra vítima é uma mulher que acompanhava a filha na atividade e que igualmente precisou de internação.

O que diz a academia
No domingo, a Academia C4 Gym se pronunciou por meio das redes sociais. “Seguimos acompanhando de perto o estado de saúde dos demais alunos afetados e também prestando todo o apoio possível. Gostaríamos de esclarecer que, assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompemos imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes”, informou a empresa.

“Obedeceu ordens”, afirma defesa de funcionário
A defesa do funcionário responsável pela mistura dos produtos químicos afirmou que ele apenas cumpria determinações superiores. Em nota, destacou que o homem “obedeceu ordens”. Além da morte de Juliana, outras cinco pessoas foram hospitalizadas após o episódio ocorrido no último sábado (7).

A advogada Bárbara Bonvizini, que representa o investigado, declarou que o funcionário foi utilizado como uma “ferramenta” em um caso que ganhou grande repercussão.

Nós prestamos condolências à família da vítima. Nós só vamos nos pronunciar oficialmente ao final das investigações. Quero ressaltar que nós temos total interesse em esclrecer os fatos. Meu cliente é apenas um colaborador da academia, ele foi uma ferramenta e obedeceu a ordens. Ele trabalhava na academia há três anos.

Abordado por jornalistas, o próprio funcionário confirmou a versão apresentada pela defesa. “Era como funcionava a empresa, eu sigo ordens. Meu celular foi apreendido para as investigações e é o que eu tenho para falar no momento”, explicou.

O depoimento foi prestado nesta terça-feira (10), na sede do 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas, zona leste da capital paulista.

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