Depois da repercussão intensa — e controversa — de Raquel em “Vale Tudo”, a Globo decidiu responder com um movimento claro: apostar alto em Taís Araujo como protagonista de “Por Você”, da dupla Juliana Peres e Dino Cantelli, que estreia na faixa. A coluna teve acesso aos detalhes da personagem oferecida à atriz na próxima novela das set; um projeto ambicioso, emocional e com forte apelo social.
Taís foi convidada para viver Rosa, uma obstetra bem-sucedida, independente e absolutamente convicta da escolha de não ser mãe. No auge da carreira, aos quarenta e poucos anos, ela vê sua estrutura ruir quando a filha biológica que abandonou na infância reaparece grávida exigindo respostas e presença. A trama, que internamente é descrita como tendo um “quê” da série americana “This Is Us”, mergulha em temas densos: maternidade solo, adoção tardia, desigualdade social, identidade, pertencimento e reconstrução familiar.
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E a virada não para por aí.
Após a morte violenta de uma amiga de infância, Rosa se vê diante de uma realidade brutal: quatro filhos deixados sem amparo e um sistema de acolhimento que oferece pouquíssimas chances de adoção para adolescentes e grupos de irmãos no Brasil. Confrontada com culpas antigas e escolhas que julgava definitivas, ela decide assumir a guarda das , tornando-se, de forma improvável e turbulenta, mãe de cinco.
Nos bastidores, o convite é lido como um gesto claro da emissora. Depois das tensões criativas envolvendo “Vale Tudo” e os rumores de desgaste, oferecer a Taís uma protagonista dessa envergadura é mais do que uma escalação: é reposicionamento.
Rosa é uma personagem complexa, cheia de arestas, longe do arquétipo tradicional de “mãe heroína”. A novela parte justamente da recusa da maternidade para discutir que ser mãe não é instinto automático; é construção diária.
Há conflitos domésticos, crises financeiras, preconceito racial e social, embates geracionais e desafios profissionais. Enquanto tenta manter o prestígio de sua clínica, Rosa precisa aprender a dividir espaço, afetos e poder.
No novo arranjo familiar, cada filho carrega sua própria ferida: a filha biológica, ressentida e grávida; o mais velho dos adotivos, flertando com o crime e a paternidade precoce; os gêmeos, marcados pelo abandono; e o caçula, cuja doçura escancara as falhas do sistema educacional e os limites emocionais da nova mãe. É uma protagonista que exige entrega emocional, maturidade cênica e presença: características que Taís domina.






