12 fevereiro 2026

Morte em academia de SP: piscina já tinha histórico de problema, afirma delegado

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O caso envolvendo a morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (12/2). Os três proprietários da academia C4 Gym foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio com dolo eventual. Em coletiva de imprensa, o delegado Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial, na zona leste de São Paulo, revelou que a piscina já havia apresentado problema químico anteriormente e que os donos não quiseram contratar uma empresa especializada.

As investigações apontaram que, no início, a linha adotada pela polícia considerava a possibilidade de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas o entendimento mudou ao longo da apuração. Isso porque a polícia conseguiu comprovar que o manobrista Severino, responsável pela limpeza da piscina, cumpria ordens emanadas por um dos sócios da academia.

Veja as fotosAbrir em tela cheia A manipulação de químicos só deve ser realizada por profissionais capacitados.Gemini Donos da C4 Gym e funcionários responsável por manusear produtos químicos da manuteção da piscinaFoto: Reprodução / TV Globo Produtos utilizados na piscina da academia C4 GymFoto: Reprodução Polícia não localiza donos de academia em SP onde professora morreu na piscinaPortal LeoDias Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução Mulher morre e quatro pessoas são internadas após nadarem em piscina de academiaFoto: Reprodução

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De acordo com o delegado, a piscina já havia apresentado falhas anteriores relacionadas ao tratamento químico da água: “Nós constatamos a existência de diversos problemas nessa mesma piscina, situações em que ela já havia apresentado falhas relacionadas à química utilizada. Ela chegou a espumar em uma dessas oportunidades e, nessa ocasião, eles contrataram uma pessoa”, contou.

Ainda segundo a autoridade policial, um dos sócios admitiu em depoimento que não tinha conhecimento técnico suficiente para resolver o problema: “Porque esse sócio, em seu próprio interrogatório, afirmou que não tinha capacidade técnica de resolver aquele problema. Ele não se sentiu apto, razão pela qual contratou um terceiro”, declarou o delegado.

Para a polícia, mesmo diante dessa limitação técnica, os responsáveis decidiram manter a dinâmica interna de trabalho: “Eles deliberadamente optaram por manter essa dinâmica, em que o sócio, que se diz devidamente habilitado e responsável pela piscina, delegava, de forma no mínimo imprudente, esse serviço a um colaborador sem qualquer conhecimento técnico.”

O delegado também destacou provas encontradas durante a análise do celular do funcionário responsável pela manutenção: “Foram constatadas, a partir do aparelho celular do Severino, que foi apreendido, mensagens que ficaram comprovadamente apagadas justamente no dia dos fatos”, disse. Para a polícia, isso indica que ele assumiu o “risco do resultado”.

Por fim, a autoridade explicou por que a conduta foi enquadrada como dolo eventual: “A partir do momento em que ele tem conhecimento de que esse resultado pode ocorrer em razão da intoxicação gerada pelo mau uso desses produtos químicos na piscina, que já havia acontecido antes, e, mesmo assim, mantém essa atividade da forma como estava, é uma demonstração de que ele assumiu o risco”, finalizou.

Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após realizar uma aula de natação. A Polícia Civil investiga se a manipulação inadequada de produtos químicos causou a liberação de gases tóxicos na piscina, resultando na morte da professora e na intoxicação de outras pessoas.

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