18 fevereiro 2026

Opinião: Juliana Paes prova que carisma, maturidade e história não têm prazo de validade

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Em um tempo em que a indústria do entretenimento parece obcecada pela novidade, pela mulher mais nova, pela próxima tendência, Juliana Paes fez o movimento oposto e venceu com autoridade. Aos 46 anos, ela voltou ao posto de rainha de bateria da Unidos do Viradouro, no Rio de Janeiro, e protagonizou uma daquelas cenas que não cabem apenas na crônica de Carnaval: cabem na análise de comportamento.

Não se trata de rivalizar mulheres — até porque não é sobre competição feminina. É sobre presença, trajetória e o tipo de estrela que não depende de algoritmo, mas de história construída.

Juliana não retornou à Sapucaí como quem revisita um antigo papel. Ela voltou maior, mais segura e mais dona de si. Com o corpo que é dela, com a idade que é dela, com a maturidade que só o tempo dá — e que nenhuma cirurgia, filtro ou hype substitui.

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O que se viu na avenida não foi apenas samba no pé. Foi domínio de cena, conexão com a bateria e entrega emocional. Foi uma artista entendendo exatamente o lugar que ocupa na cultura popular brasileira. E isso explica a ovação. A Sambódromo da Marquês de Sapucaí é implacável. Ali não se sustenta personagem por muito tempo. O público sente quando é de verdade. E com Juliana foi de verdade.

Há algo muito potente no que aconteceu ali. Enquanto o mercado insiste em rotular mulheres por faixa etária, Juliana mostrou que relevância não tem prazo de validade. Ela não estava ali para provar que “ainda dá conta”. Ela estava ali porque é referência e porque construiu um caminho que mistura televisão, novelas, protagonismo e relação genuína com o Carnaval.

E há uma diferença enorme entre ser convidada pela estética e ser ovacionada pela história. A volta dela à Viradouro não apaga ninguém, não diminui ninguém, não cria rivalidade com outras rainhas. Pelo contrário: amplia o espaço. Mostra que há lugar para juventude e maturidade. Para novidade e permanência.

Para a TV, Juliana Paes é uma estrela consolidada. Para o Carnaval, é um símbolo de entrega. Para o público feminino, é uma lembrança importante: não há idade para ocupar o centro do palco.

Num ambiente que costuma descartar mulheres à medida que os anos passam, vê-la atravessar a avenida sendo celebrada dentro e fora da Marquês de Sapucaí é quase um manifesto silencioso. Juliana não desfilou apenas como rainha de bateria. Desfilou como mulher que entende seu valor — e não negocia isso. E talvez seja exatamente por isso que a Sapucaí aplaudiu de pé.

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