19 fevereiro 2026

Nikolas move ação contra Acadêmicos de Niterói por retratar cristãos em latas de conserva

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

A apresentação da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro desencadeou uma nova frente de embate político. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) anunciou que vai protocolar uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra o presidente da escola, Wallace Palhares, sob a acusação de intolerância religiosa.

O estopim foi a ala intitulada “Neoconservadores em Conserva”, exibida no desfile realizado na Marquês de Sapucaí no último domingo (15/2). Os integrantes atravessaram a avenida caracterizados como latas de alimentos, com rótulos estampando expressões como “família tradicional” e ilustrações de pai, mãe e filhos. Máscaras faziam referência a segmentos identificados com o conservadorismo, como produtores rurais e líderes evangélicos.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Nikolas Ferreira compartilhou um vídeo em suas redes sociais criticando a representação da alaReprodução: Instagram/@nikolasferreiradm Juliano Cazarré entrou na trend da “família em conserva”Reprodução: Instagram/@cazarre Yudi Tamashiro entrou na trend da “família em conserva”Reprodução: Instagram/@yuditamashiro Ratinho entrou na trend da “família em conserva”Reprodução: Instagram/@oratinho Nikolas Ferreira compartilhou crítica a Lula em referência à ala da Acadêmicos de NiteróiReprodução: Instagram/@nikolasferreiradm

Voltar
Próximo

Leia Também

Rio de Janeiro
Musa da Acadêmicos de Niterói explica briga com integrantes da escola: “Me desmoralizou”

Rio de Janeiro
Presidente da Acadêmicos de Niterói defende homenagem a Lula: “Maior estadista”

Carnaval
Desfile da Acadêmicos de Niterói sobre Lula gera repercussão na web e entre políticos

Política
Flávio Bolsonaro diz que vai acionar o TSE após desfile em homenagem a Lula na Sapucaí

Para o parlamentar, a encenação não se limitou à sátira política. Segundo ele, a imagem de cristãos retratados como produtos enlatados sugeriria que esse grupo seria “algo a ser descartado”. Em nota enviada ao portal LeoDias, declarou que a Constituição assegura a liberdade religiosa e que a legislação brasileira pune práticas discriminatórias motivadas por fé.

A controvérsia também reverberou em entidades e no meio político. A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro divulgou posicionamento classificando o episódio como intolerância religiosa. Já a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifestou preocupação com o uso de símbolos cristãos e da instituição familiar em contexto considerado ofensivo.

No Congresso, parlamentares da oposição reagiram publicamente. O deputado Otoni de Paula (MDB/RJ) afirmou que a ala aprofundou o distanciamento entre a esquerda e o eleitorado evangélico. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), homenageado no enredo da escola, avaliam que o episódio pode gerar desgaste e defendem cautela antes de qualquer movimento público.

Trend “família em conserva” mobilizou políticos e famosos
A reação passou do ambiente institucional e ganhou as redes sociais. Parlamentares e personalidades da mídia passaram a publicar imagens produzidas com Inteligência Artificial I(A) que simulam latas estampando fotos de suas próprias famílias, movimento que ficou conhecido como “família em conserva”. A proposta, segundo os participantes, é reafirmar valores ligados a “Deus, pátria e família” em tom de resposta à crítica carnavalesca.

Entre os nomes conhecidos que aderiram à tendência estão o ator Juliano Cazarré e os apresentadores Yudi Tamashiro e Ratinho, que compartilharam versões estilizadas com suas famílias em rótulos de lata. Outros políticos conservadores também entraram na onda, como Mario Frias, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, utilizando ferramentas de IA para criar montagens semelhantes e reforçar posicionamentos públicos.

Enquanto a polêmica se desdobra, Nikolas Ferreira afirma que levará o caso adiante para que haja apuração formal.

Leia a nota na íntegra:

No desfile da Acadêmicos de Niterói, a ala que retratou os cristãos numa “lata de sardinha” como se fossem algo a ser descartado, ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso. A própria OAB-RJ reconheceu o episódio como intolerância.

A Constituição garante liberdade religiosa. A Lei 7.716/89 pune atos de discriminação por motivo de religião. Por isso, protocolarei representação no Ministério Público do RJ contra o presidente da escola de samba, na condição de autor intelectual do desfile, para que os fatos sejam apurados com o rigor da lei. Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime.

Nikolas Ferreira – Deputado Federal (PL/MG)

- Publicidade -

Veja Mais