A defesa de Hytalo Santos e Israel Natã Vicente, conhecido como Euro, informou ao portal LeoDias que irá recorrer da sentença que condenou os influenciadores a penas superiores a oito anos de prisão em regime fechado. Hytalo foi sentenciado a 11 anos e 4 meses de detenção, enquanto Euro recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Ambos estão presos desde agosto de 2025.
A decisão foi proferida no último sábado (21/2) pela Justiça da Paraíba, que considerou os dois culpados pela produção, reprodução e transmissão de conteúdo com conotação sexual envolvendo adolescentes, divulgado em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube. O caso teve ampla repercussão nacional e vem sendo acompanhado pelo portal LeoDias desde o início das investigações.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Hytalo Santos e Euro durante audiênciaFoto: Reprodução Hytalo Santos e Israel Nata Vicente, o EuroReprodução: Globo Hytalo Santos e EuroReprodução: Instagram/@hytalosantos Hytalo Santos e Israel Vicente (Euro)Crédito: Reprodução Instagram @hytalosantos Hytalo Santos e Euro sendo presos em residência em Carapicuiba, São Paulo, na manhã de sexta-feira (15/8)Foto: Reprodução Euro e Hytalo SantosReprodução: Instagram Israel Nata Vicente, o “Euro”Foto/Facebook/@EuroOficial Israel Nata Vicente, o “Euro”Foto/Facebook/@EuroOficial Hytalo Santos e Euro são acusados de exploração sexual infantil e tráfico de pessoasCrédito: Abraão Cruz/TV Globo
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A apuração foi conduzida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do Grupo Especial de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco). Segundo o órgão, o material produzido pelo casal era utilizado para gerar engajamento, ampliar audiência e viabilizar a monetização nas plataformas digitais.
De acordo com a denúncia, adolescentes eram expostos em gravações com danças e poses consideradas de conotação erótica, em um formato descrito como semelhante a um reality digital. O Ministério Público apontou especificamente o crime de produção de cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.
Na sentença, o magistrado rejeitou as preliminares apresentadas pela defesa, que alegava incompetência da Justiça Estadual e nulidade das provas digitais. O juiz destacou que o uso da internet não desloca automaticamente a competência para a Justiça Federal e afirmou não haver comprovação de adulteração das provas extraídas de redes sociais abertas.
A decisão também ressaltou que o crime previsto no artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não exige nudez integral ou contato físico, sendo suficiente que o contexto revele finalidade sexual ou pornográfica envolvendo menores. O entendimento, segundo a sentença, segue jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O juízo destacou ainda que o conteúdo ultrapassou a esfera privada e alcançou milhões de visualizações na internet, ampliando o impacto sobre o público infantojuvenil.
O caso ganhou notoriedade nacional em agosto de 2025, após o youtuber Felipe Bressanin Pereira, conhecido como Felca, publicar um vídeo denunciando supostas práticas de exploração de menores envolvendo o influenciador paraibano, especialmente em relação à adolescente Kamylinha. Desde o dia 15 de agosto daquele ano, Hytalo Santos e Israel Vicente estão presos. Inicialmente detidos em São Paulo, eles foram transferidos para a Paraíba e permanecem em prisão preventiva desde 28 de agosto.
Defesa anuncia recurso
Em nota enviada ao portal LeoDias, o advogado Dr. Sean Kompier Abib, que representa Hytalo e Euro, afirmou que a defesa irá recorrer da condenação e sustenta que a decisão foi marcada por fragilidade jurídica e preconceito.
“A defesa de Hytalo Santos e Israel Natã Vicente vem a público manifestar sua irresignação acerca da sentença condenatória proferida contra os influenciadores em 21/2/2026, um sábado, decisão que, lamentavelmente, revela não apenas fragilidade jurídica, mas também traços inequívocos de preconceito. Ao longo de toda a instrução processual, a defesa apresentou argumentos consistentes, lastreados em provas e nos próprios depoimentos colhidos em juízo, inclusive de testemunhas arroladas pela acusação e das supostas vítimas, que afastam a tese acusatória.
Nada disso, contudo, foi devidamente enfrentado na sentença, que optou por ignorar elementos essenciais dos autos, conduzindo a uma condenação desprovida de fundamentação adequada.Mais grave, a decisão representa, segundo a defesa, a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual, além de expressar estigmatização contra o universo cultural do brega funk. Tal constatação é reforçada por trecho da própria sentença em que se afirma que não é porque Hytalo é negro e gay assumido, inclusive casado com um homem, que teria personalidade desvirtuada.
Se inexistisse preconceito, seria absolutamente desnecessária a menção a tais características pessoais, que não guardam qualquer pertinência jurídica com os fatos discutidos no processo. A simples inclusão desse tipo de observação, segundo a defesa, revela o viés que teria contaminado o julgamento. A defesa informa que o julgamento do habeas corpus designado para a próxima terça-feira permanece hígido, não perdendo seu objeto em razão da sentença proferida. Confia plenamente no Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, certo de que não legitimará tamanha aberração jurídica nem compactuará com qualquer forma de preconceito.
Outrossim, serão adotadas as medidas pertinentes junto ao Conselho Nacional de Justiça para apuração da conduta do magistrado sentenciante, especialmente no que se refere à utilização de expressões de cunho preconceituoso incompatíveis com a imparcialidade e a sobriedade que se exigem da função jurisdicional. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, convicta de que as instâncias competentes restabelecerão a justiça.”
A defesa também informou que o julgamento do habeas corpus designado para a próxima terça-feira segue mantido e que adotará medidas junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar a conduta do magistrado responsável pela sentença.






