A Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) decidiu manter a prisão preventiva do agricultor Diérico Souza de Macedo, de 39 anos, acusado de matar a facadas o próprio irmão, Milton Souza de Macedo, em março de 2025, na zona rural do município de Capixaba, no interior do Acre.
A decisão foi proferida pela juíza Evelin Campos Cerqueira Bueno, da Vara Única Criminal da comarca, e publicada na última sexta-feira (6). Ao reavaliar o caso, a magistrada entendeu que não houve mudanças no processo que justifiquem a soltura do acusado, mantendo assim a prisão preventiva até o julgamento.
Na decisão, também foi determinado que acusação e defesa apresentem, no prazo de cinco dias, a lista de testemunhas que deverão depor em plenário, podendo indicar até cinco nomes cada. As partes ainda podem anexar documentos e solicitar diligências relacionadas ao julgamento. Até o momento, a data do júri popular ainda não foi definida.
A juíza destacou a gravidade do crime, uma vez que o réu é acusado de ter assassinado o próprio irmão. Outro ponto considerado foi o fato de o acusado ter deixado a região após o ocorrido, o que reforçou a necessidade da manutenção da prisão.
Segundo a magistrada, o processo reúne provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, elementos que justificam a prisão preventiva enquanto o caso aguarda julgamento.
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Investigação
Durante as investigações, a polícia ouviu testemunhas que relataram que os irmãos costumavam discutir com frequência, especialmente quando havia consumo de álcool. Em uma dessas discussões, o desentendimento teria evoluído para agressões físicas.
Inicialmente, Diérico afirmou que havia saído de casa para verificar uma malhadeira em um açude da propriedade e que, ao retornar, encontrou o irmão ferido. No entanto, essa versão passou a ser questionada ao longo das investigações.
De acordo com os levantamentos da polícia, Milton teria ido dormir e, horas depois, Diérico teria retornado ao local e desferido cerca de dez golpes de faca contra o irmão. O corpo da vítima foi encontrado já em estado de rigidez cadavérica.
Confissão e contradições
Durante interrogatório, o acusado chegou a admitir que esfaqueou o irmão, mas alegou que agiu em legítima defesa, afirmando que Milton estaria armado no momento da briga.
A Polícia Civil do Acre, porém, informou que não foram encontrados elementos no local que comprovassem essa versão. As perícias realizadas também não identificaram sinais de reação da vítima.
Os investigadores também consideraram suspeito o fato de Diérico não ter comparecido à delegacia quando foi intimado, não ter participado do velório do irmão e ter deixado a região após o crime.
Um vizinho que estava com os irmãos no dia do ocorrido relatou em depoimento que estava sob efeito de álcool, tendo dormido no local e afirmado não ter presenciado nem ouvido o momento em que Milton foi atacado.
Fonte G1 Ac


