O Rio Acre segue acima da cota de alerta em Rio Branco pelo terceiro dia consecutivo. Na medição das 9h desta quarta-feira (1º), o nível do manancial foi registrado em 13,84 metros, conforme a Defesa Civil Municipal — acima dos 13,50 metros que marcam o estado de alerta.
O rio ultrapassou essa cota na última segunda-feira (30), quando atingiu 13,60 metros. Desde então, o nível apresenta variações, após um período anterior em que se mantinha entre 8 e 9 metros.
Ainda na segunda, o manancial continuou subindo ao longo do dia e chegou a 14,01 metros às 18h, superando a cota de transbordamento, fixada em 14 metros. Foi a terceira vez em 2026 que o rio ultrapassou esse limite e a quarta ocorrência em um intervalo de três meses.
Já na terça-feira (31), o nível recuou para 13,90 metros à meia-noite, saindo da condição de transbordamento em menos de 24 horas. Ao meio-dia, o rio havia baixado para 13,84 metros e seguiu com pequenas oscilações ao longo do dia, mantendo-se estável.
Segundo a Defesa Civil, o comportamento recente está diretamente ligado ao volume de chuvas registrado entre sexta-feira (27) e sábado (28), quando o acumulado se aproximou de 50 milímetros. Na terça, o índice foi de apenas 0,20 milímetro, mas voltou a subir na madrugada desta quarta, com 20,40 milímetros.
O volume de chuvas em março já ultrapassou a média esperada. Até esta quarta-feira, o acumulado chegou a 434 milímetros, acima dos 276 milímetros previstos para o mês.
Diante do cenário, a Defesa Civil iniciou a preparação de espaços para abrigar possíveis desabrigados, incluindo escolas e um ginásio. Até o momento, no entanto, não houve necessidade de retirada de famílias.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que o órgão já mapeou áreas que podem ser afetadas em caso de nova elevação do nível do rio.
“Estamos preparando as escolas Anice Dib Jatene, Alvaro Rocha, Maria Lucia Marin e mais um ginásio para poder acolher situações de vítimas desabrigadas pela inundação do Rio Acre”, afirmou.
De acordo com ele, mesmo após o transbordamento, ainda existe uma margem de cerca de 30 centímetros antes da necessidade de retirada das famílias.
“Também estamos fazendo o monitoramento a cada uma hora relacionado à pluviometria e nível do Rio Acre, não apenas em Rio Branco, mas em toda a sua extensão, verificando as possibilidades de velocidade de queda e de aumento em todos os municípios”, destacou o coordenador.
Entre os bairros que podem ser impactados estão Ayrton Sena, Base, Seis de Agosto, Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Aeroporto Velho, Taquari, Cidade Nova, Quinze e Triângulo.
O histórico recente mostra sucessivas elevações do nível do rio. O primeiro transbordamento ocorreu em 27 de dezembro, com 14,03 metros. Em 16 de janeiro, o nível voltou a ultrapassar a marca, chegando a 14,06 metros. Já no dia 29 de janeiro, o rio registrou nova cheia.
Após períodos de cheia e vazante, o maior nível do ano foi registrado em 2 de fevereiro, quando o manancial atingiu 15,44 metros, afetando mais de 12 mil pessoas na capital.
Com a redução do nível nos dias seguintes, famílias que estavam abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana começaram a retornar para casa em 9 de fevereiro. À época, 39 famílias — somando 115 pessoas e 26 animais — estavam acolhidas no local.


