17 de julho de 2026

Pesquisa aponta que mulheres são maioria entre cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil

Pesquisa aponta que mulheres são maioria entre cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil
Foto: Reprodução

Uma pesquisa nacional revela que as mulheres são as principais responsáveis pelos cuidados de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. O levantamento, realizado pelo Instituto Autismos, reuniu respostas de mais de 23 mil pessoas em todo o país.

Foto: Anaiara Ribeiro

A realidade é ilustrada por histórias como a da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, mãe de João, de 18. Desde os primeiros anos de vida do filho, ela passou a buscar atendimento com diversos especialistas, até que o diagnóstico de autismo foi confirmado quando ele tinha 8 anos. Para oferecer o suporte necessário, Anaiara deixou o emprego formal e passou a trabalhar como autônoma, conciliando a rotina com os cuidados do filho.

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De acordo com os dados da pesquisa, a maioria das cuidadoras são mulheres, muitas delas fora do mercado de trabalho justamente por conta da dedicação integral aos filhos. O estudo também mostra um avanço importante: a idade média para o diagnóstico do autismo no Brasil caiu para cerca de 4 anos, alinhando-se aos padrões internacionais.

Apesar desse progresso, os desafios ainda são significativos. As famílias chegam a gastar mais de R$ 1 mil mensais com terapias, recorrendo, em grande parte, a planos de saúde. Já nas regiões Norte e Nordeste, há maior dependência do sistema público.

Em resposta, o governo federal informou que ampliou os investimentos na área, com a destinação de R$ 83 milhões para fortalecer a rede de atendimento. Entre as medidas anunciadas estão a criação de novos Centros Especializados em Reabilitação (CER), além de serviços como oficinas ortopédicas e transporte adaptado.

Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é essencial para garantir melhores resultados no desenvolvimento das pessoas com autismo. Além disso, a conscientização sobre o tema contribui para reduzir o preconceito e ampliar o acesso a direitos, como benefícios sociais e inclusão em áreas como educação, saúde e lazer.

No Brasil, estima-se que cerca de 2,4 milhões de pessoas estejam dentro do espectro autista, segundo dados do IBGE. A ampliação das políticas públicas e o fortalecimento da rede de apoio são apontados como fundamentais para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e de suas famílias.

Informações via Agência Brasil.