A participação de Juliano Floss no “BBB26” tem gerado repercussão dentro e fora da casa, e não apenas por estratégias de jogo. O famoso, que vive um relacionamento com Marisa Sena, virou alvo de comentários de colegas de confinamento por conta de um suposto mau hálito frequente. Diante da repercussão, o tema chamou a atenção de especialistas.
Em entrevista ao portal LeoDias, a dentista Miriam Alhanati, especialista em Reabilitação Oral e membro da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), trouxe esclarecimentos importantes sobre o problema e analisou o caso observado no reality.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Juliano Floss no “BBB26″Reprodução / Globo Juliano FlossFoto: Reprodução/TV Globo Juliano FlossFoto: Reprodução/TV Globo Juliano Floss no “BBB26” relembrando início do namoro com Marina SenaReprodução TV Globo Juliano Floss é anunciado como segundo Camarote do “BBB26”Crédito: Globo/Manoella Mello Juliano Floss é anunciado como segundo Camarote do “BBB26”Crédito: Globo/Manoella Mello
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Mau hálito ainda é tabu
Segundo a especialista, o constrangimento ainda impede muitas pessoas de buscarem ajuda.
“Ainda é um grande tabu. Muitos deixam de procurar tratamento por vergonha em se expor ou procuram o especialista errado, como gastro ou otorrino e menos de 2% tem relação com o estômago. Nesses casos não resolvem o problema e se tornam descrentes em procurar ajuda especializada com o dentista capacitado”, explicou.
Ela destaca que a maioria dos casos tem origem bucal e que a falta de diagnóstico correto pode fazer com que o paciente desista de procurar tratamento.
Principais causas estão na boca
De acordo com Miriam, cerca de 90% dos casos de mau hálito começam na cavidade oral.
“As principais causas são bucais, 90% têm origem na boca e claro todo cuidado e hábitos com a rotina de escovação além dos produtos utilizados. As principais causas são a inflamação na gengiva, sangramento conhecido como gengivite e evolução para periodontite, com a perda óssea. Padrão salivar, saburra na língua (aquela camada amarelada ou esbranquiçada) e os cáseos que são pequenas bolinhas que podem se acumular nas amígdalas. Próteses e lentes mal adaptadas assim como os sisos ajudam o acúmulo de alimentos que podem alterar o hálito. Vale lembrar que toda rotina pode contribuir e os hábitos frequentes de dieta e jejum.”, afirmou.
Outros fatores como próteses mal adaptadas, dentes sisos e hábitos alimentares também podem contribuir para o problema.
Um dos principais vilões
A especialista explica que a chamada saburra lingual, camada esbranquiçada ou amarelada na língua, é formada por bactérias, células mortas e restos de alimentos.
“A saburra lingual nada mais é que um grande agregado bacteriano, com células descamadas, células mortas, micropartículas de alimentos que se acumulam na língua. A pessoa que tem uma deficiência salivar fica com uma lavagem natural da boca diminuída. Lembrando que medicação para ansiedade, depressão além de bebida alcoólica e cigarro/vape contribuem para essa formação. Por isso é importante identificar a causa para que essa camada não se forme com frequência e ajustar.”, disse.
Caso de Juliano pode indicar quadro crônico
Ao analisar o cenário visto no programa, Miriam aponta que a recorrência dos comentários pode indicar algo além de um episódio pontual.
“No caso do participante Juliano Floss é notório que os colegas sentem e se incomodam com o hálito forte com frequência, horários diferentes ao longo do dia e dias seguidos. Nesse quadro já podemos pressupor um mau hálito crônico. O mau hálito pontual pode acontecer, principalmente pela manhã, mas não deve permanecer se a pessoa tem saúde bucal, acompanhamento e orientação correta”, avaliou.
Ela explica que o mau hálito ocasional, como o da manhã, é comum, mas não deve persistir ao longo do dia em pessoas com saúde bucal adequada.
Escovação sozinha não resolve
Um dos pontos mais destacados pela especialista é que apenas escovar os dentes não é suficiente.
“Só escovar os dentes não é suficiente. Se fosse assim, ninguém teria mau hálito ou outras questões bucais. Hoje muitos buscam auto-tratamento e sequer vão ao dentista para consultas de prevenção e revisão. É necessário uma mudança de mentalidade para que se evite o problema antes dele existir. E claro, ter uma orientação correta tanto para limpezas profissionais em consultório quanto orientação em casa com tipos de produto, dieta, estilo de vida”, afirmou.
Segundo ela, o cuidado completo envolve fio dental, limpeza da língua, acompanhamento profissional e atenção aos hábitos diários.
Enxaguantes podem mascarar o problema
Miriam também alerta para o uso indiscriminado de enxaguantes bucais.
“Enxaguantes mascaram momentaneamente e podem piorar a sensação do mau hálito ou o próprio hálito. Podem alterar o paladar, frequentemente associado ao gosto ruim e manchamento de dentes.Existe uma indústria cosmética grande em querer vender produtos para o mau hálito, mas infelizmente isso atrapalha apenas quem tem o problema, com a autoestima e insegurança e problemas de convívio social”, disse.
Alimentação e jejum também influenciam
A especialista ressalta que dieta e estilo de vida têm impacto direto no hálito. Café, derivados do leite e dietas ricas em proteína podem favorecer alterações.
“Jejum e dietas hiperproteicas podem piorar o mau hálito. São processos fisiológicos diferentes. O jejum pela cetose e queima de gordura e as dietas pela afinidade do perfil bacteriano às proteínas. Claro que tudo depende da condição da boca associada à esses fatores, nem todo mundo que faz jejum ou come muita proteína tem mau hálito. Mas se essa pessoa tem uma doença bucal, o mau hálito pode existir”, explicou.
Tratamento exige acompanhamento profissional
Por fim, a dentista reforça que soluções caseiras não são eficazes sem orientação adequada.
“Quando falamos de saúde, nenhum tratamento caseiro é eficaz sem o profissional por trás. Muitos confundem dicas na internet pela correta orientação feita pelo profissional de saúde, quando se faz um acompanhamento contínuo. Precisamos ver o paciente, investigar, diagnosticar e não esquecer o lado humano do processo que é cuidar de alguém”, destacou.
Ela ainda enfatiza que o cuidado deve ser contínuo e individualizado, levando em conta o histórico e os hábitos de cada paciente.
Constrangimento não ajuda
Diante da exposição no reality, Miriam também faz um alerta sobre a forma de abordar o tema.
“No programa muitos participantes brincam de sentir o “bafo” “pum pela boca” mas isso apenas aumenta o constrangimento e insegurança. deve se falar com respeito “olha eu tenho sentido um hálito forte constantemente, você sabia que tem tratamento com o dentista?”, disse.
Para ela, o ideal é tratar o assunto com respeito e incentivar a busca por tratamento.


