Uma pesquisa com participação da Universidade Federal de Santa Catarina revelou que o mosquito Anopheles cruzii, principal transmissor da malária na Mata Atlântica, não é uma única espécie, como se pensava até então.
De acordo com o estudo, o inseto na verdade é formado por um conjunto de cinco linhagens geneticamente diferentes. Ou seja, trata-se de um “complexo de espécies crípticas” — organismos que são visualmente iguais, mas que possuem diferenças genéticas e não se reproduzem entre si.
A descoberta foi publicada na revista científica Communications Biology e pode mudar a forma como a doença é estudada e combatida, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Até agora, o mosquito era tratado como uma única espécie, o que influenciava diretamente as estratégias de controle da malária. Com a identificação de múltiplas linhagens, pesquisadores indicam que cada uma pode ter comportamentos diferentes, como hábitos de reprodução, alimentação e transmissão do parasita.
Isso significa que as ações de combate podem precisar ser ajustadas, levando em conta essas diferenças para aumentar a eficácia no controle da doença.
A malária é mais comum na região amazônica, mas também ocorre em áreas de Mata Atlântica. Entender melhor o vetor da doença é considerado essencial para prevenir novos casos e aprimorar políticas de saúde.
Com a nova descoberta, cientistas destacam a importância de aprofundar os estudos sobre cada uma dessas linhagens para desenvolver estratégias mais específicas e eficientes no combate ao mosquito transmissor.


