17 de julho de 2026

Mais de 1.300 pedidos de mineração atingem terras indígenas na Amazônia, aponta relatório

Mais de 1.300 pedidos de mineração atingem terras indígenas na Amazônia, aponta relatório
Rrelatório aponta mais de 1.300 requerimentos minerários incidindo sobre terras indígenas na Amazônia (Foto: © Edgar Kanaykõ / Greenpeace)

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (8) revela que mais de 1.300 requerimentos minerários incidem atualmente sobre terras indígenas na Amazônia, sendo que 390 deles apresentam sobreposição total com esses territórios .

O documento, elaborado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em parceria com a Cosmopolíticas, foi apresentado durante um seminário no Congresso Nacional, dentro da programação do Acampamento Terra Livre. Segundo o estudo, há uma forte atuação de empresas e instituições financeiras para expandir a mineração em áreas protegidas, utilizando discursos ligados à sustentabilidade e à transição energética como justificativa .

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O relatório também aponta a existência de um sistema de influência que envolve os três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — com o objetivo de flexibilizar regras ambientais e permitir o avanço da atividade mineral em territórios indígenas. No Congresso, por exemplo, frentes parlamentares ligadas à mineração e ao agronegócio estariam articulando projetos que enfraquecem direitos territoriais .

Outro ponto destacado é o volume de investimentos direcionados ao setor: entre 2016 e 2024, cerca de US$ 493 bilhões foram aplicados por grandes bancos em empresas de mineração ligadas à transição energética. Para a Apib, esse movimento transfere impactos ambientais e sociais para comunidades indígenas, enquanto concentra os lucros em grandes corporações .

Protesto indígena na Praça dos Três Poderes: lobby da mineração avançando sobre territórios e pressionando Legislativo, Executivo e Judiciário (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

O documento ainda critica decisões recentes no Supremo Tribunal Federal (STF), como a autorização para exploração mineral em área do povo Cinta Larga. A entidade afirma que não houve consulta adequada às comunidades indígenas, como prevê a legislação internacional, e reforça que esses territórios devem ser protegidos como parte essencial no combate à crise climática .

Para a Apib, a preservação das terras indígenas é fundamental e não deve ser vista como obstáculo, mas sim como solução para enfrentar os desafios ambientais atuais.

Informações via #COLABORA.