O Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, abriu ao público na última quarta-feira (8) a exposição Cartografia Indígena – Descolonizando Mente e Espaço. A mostra é gratuita e reúne 23 mapas elaborados por agentes agroflorestais indígenas, retratando territórios amazônicos a partir da visão dos povos originários.
As obras são resultado de cursos de formação realizados pelo Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), mantido pela Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre). Durante as aulas, a cartografia foi trabalhada como uma linguagem adaptada à realidade dos alunos, integrando conhecimentos tradicionais e símbolos culturais.
Mais do que representações visuais, os mapas têm função estratégica. Eles vêm sendo utilizados por diferentes etnias do estado para auxiliar no planejamento ambiental, identificação de recursos naturais, delimitação de territórios e até na mediação de conflitos fundiários.

A proposta da exposição é ressignificar o uso dos mapas, historicamente associados a processos de dominação, transformando-os em ferramentas de afirmação cultural e defesa de direitos indígenas.
Segundo o geógrafo e assessor técnico da CPI-Acre, José Frank de Melo Silva, a cartografia indígena também expressa a luta, a cultura e a valorização dos povos sobre seus territórios.
A mostra é realizada pela CPI-Acre em parceria com a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC), com apoio do governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).
A visitação acontece na Galeria de Exposições Sansão Pereira e segue aberta ao público até o dia 31 de maio, a partir das 9h.


