A Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou que o Lyon efetue o pagamento de 21 milhões de euros, cerca de R$ 122,3 milhões, ao Botafogo, no prazo de três dias. A medida representa a primeira decisão favorável ao clube carioca em processos movidos contra a equipe francesa.
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A ação faz parte de um conjunto de disputas judiciais iniciadas pela SAF do Botafogo no início de abril, relacionadas a valores envolvendo operações financeiras realizadas dentro da estrutura da Eagle Football, controlada pelo empresário John Textor. No total, as cobranças chegam a aproximadamente R$ 745 milhões.
Veja as fotosAbrir em tela cheia John Textor, presidente do LyonReprodução/John Textor, presidente do Lyon (França) John Textor junto a taça do Brasileirão de 2024 (Victor Silva/Botafogo)John Textor junto a taça do Brasileirão de 2024 (Victor Silva/Botafogo) John Textor. Foto: Reprodução
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O processo em questão tramita na 17ª Vara Cível da Comarca da Capital e foi classificado como título de execução extrajudicial, o que autoriza a cobrança imediata do valor. A quantia corresponde a três transferências realizadas ao clube francês em março de 2025.
A decisão foi assinada pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, que também estabeleceu prazo de 15 dias úteis para que o Lyon apresente eventuais embargos. Dentro desse período, o clube francês pode comprovar o pagamento de 30% da dívida e solicitar o parcelamento do restante em até seis prestações mensais.
Contrato e jurisdição
A cobrança tem como base um contrato de empréstimo intra-grupo firmado em fevereiro de 2025, que previa a possibilidade de movimentações financeiras internas de até 100 milhões de euros entre clubes da rede, com “livre circulação de recursos”.
Mesmo sendo uma empresa sediada na França, a Olympique Lyonnais SASU está sendo acionada na Justiça brasileira. Nos bastidores, o Botafogo sustenta que há jurisdição no Rio de Janeiro porque o acordo firmado entre as partes previa a aceitação do foro local.
Conflitos entre os clubes
A disputa judicial ocorre em meio ao rompimento da relação entre os clubes dentro da estrutura da Eagle Football. Antes integrados por um sistema de caixa único – modelo que já não está mais em vigor, Botafogo e Lyon passaram a divergir em diferentes frentes.
O cenário se intensificou após a saída de John Textor do comando do clube francês em junho de 2025. Posteriormente, novos controladores do Lyon tentaram afastá-lo da gestão do Botafogo.
Em meio às tensões, Textor também acusou Michelle Kang e o fundo Ares Management de responsabilidade pelo transfer ban aplicado ao clube brasileiro. Paralelamente, o Lyon acionou o Botafogo na FIFA por uma cobrança envolvendo a negociação do atacante Jeffinho.
Além disso, no fim de março, Textor perdeu poderes na Eagle Bidco, empresa que controla os clubes da rede, após decisão da Justiça inglesa que nomeou administradores judiciais para a holding. O movimento não alterou diretamente sua atuação no Botafogo, embora exista um processo paralelo em andamento em um tribunal arbitral que pode impactar sua permanência no comando do clube.


