Um novo relatório técnico elaborado por servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba aponta que a criação de um suposto “buraco fake”, utilizado como cenário em um vídeo do prefeito Rodrigo Manga, custou ao menos R$ 19,7 mil aos cofres públicos.
O documento detalha que a ação envolveu a mobilização de 15 funcionários e sete veículos, incluindo caminhão-pipa, caminhão de aterro e retroescavadeira, além da participação de duas empresas terceirizadas responsáveis por serviços de drenagem e recomposição do asfalto. O material será encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que já recebeu denúncias sobre o caso.
Segundo o relatório, há indícios de irregularidades como falsidade ideológica, com registros e ordens de serviço supostamente forjados, além de possíveis casos de prevaricação, desvio de finalidade e dano ao erário.

As suspeitas começaram após a repercussão de um vídeo publicado nas redes sociais do prefeito, conhecido como “prefeito tiktoker”. Na gravação, ele aparece em uma cena de obra, com máquinas e servidores ao redor de um buraco aberto na via, em um conteúdo com tom de prestação de contas à população.
O documento também levanta preocupação com riscos à saúde, já que o buraco estaria ligado à rede de esgoto, podendo expor pessoas a contaminação biológica e gases tóxicos, como metano.
Relatos de moradores reforçam as suspeitas. Um vizinho afirmou que equipes do Saae teriam ficado paradas aguardando a chegada do prefeito para iniciar a gravação. Ele também estranhou a rapidez da intervenção, que foi aberta e fechada no mesmo dia, diferente de outros atendimentos na região.

Além disso, o relatório aponta inconsistências nos registros oficiais, como uso de fotos idênticas para mostrar o “antes e depois” da obra, imagens feitas em local diferente do buraco exibido no vídeo e anotações indicando que o problema não seria de responsabilidade da autarquia.
Em nota, a prefeitura informou que a intervenção foi uma manutenção regular na rede de esgoto, com troca de peça danificada e recomposição do pavimento no mesmo dia, seguindo protocolos internos. O Saae também afirmou que o registro apresentado inicialmente se referia a outra ocorrência.
O caso segue sob análise do Ministério Público, que ainda não divulgou novos desdobramentos sobre as investigações.
Veja:
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