Atenção: a matéria a seguir contêm informações sensíveis relacionadas a problemas de saúde mental e suicídio. Caso esteja procurando ajuda, ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188.
Uma perícia particular, solicitada pelos advogados da família de PC Siqueira, cujo nome de batismo era Paulo Cezar Goulart Siqueira, apontou que o influenciador teria sido assassinado por estrangulamento dentro do apartamento onde vivia, na zona Sul de São Paulo. O criador de conteúdo foi encontrado sem vida em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos. As informações são do g1.
O novo parecer técnico foi produzido em março de 2026, após solicitação dos advogados da família. O documento questiona as conclusões apresentadas anteriormente pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística (IC), ligados à Polícia Técnico-Científica. Em 2025, a investigação oficial apontou que o influenciador teria tirado a própria vida por enforcamento utilizando uma cinta de catraca.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Instagram Reprodução PC SiqueiraReprodução / Instagram Polícia investiga possível envolvimento de ex em morte de PC SiqueiraFoto/Instagram Instagram Reprodução Reprodução Reprodução Reprodução Reprodução Reprodução Reprodução
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Perícia particular diz que PC Siqueira foi assassinado e contesta laudo oficial de suicídio
De acordo com a versão registrada pelas autoridades, a morte ocorreu diante da ex-companheira de PC, Maria Luiza Lopes Watanabe. A defesa dela divulgou posteriormente uma nota oficial sobre o caso.
Responsável pela análise particular, o perito Francisco João Aparício La Regina, ex-integrante da Polícia Técnico-Científica e professor da área por três décadas, afirma que a morte não ocorreu por enforcamento. No relatório, que possui 48 páginas, ele sustenta que a asfixia teria sido provocada por um fio fino, embora não indique quem poderia ter cometido o suposto crime.
Segundo o documento, as marcas encontradas no pescoço do influenciador seriam compatíveis com um fio preto de fones de ouvido localizado no imóvel. O objeto foi recolhido posteriormente pelos advogados da família, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho, e encaminhado ao 11º Distrito Policial de Santo Amaro.
Ainda conforme a perícia contratada pela família, as lesões identificadas em PC não seriam compatíveis com a cinta laranja encontrada inicialmente pela perícia oficial, já que o acessório possui espessura maior do que as marcas observadas no corpo.
Ministério Público solicita nova perícia
Após a divergência entre os laudos, o Ministério Público determinou que a Polícia Civil envie o fio de fones de ouvido ao IML e ao IC para uma nova avaliação. O objetivo é verificar se o objeto possui compatibilidade com os ferimentos encontrados no influenciador.
Como a morte ocorreu há mais de dois anos, não será possível realizar exumação do corpo. A nova análise deverá ser baseada em fotografias produzidas pela perícia na época da ocorrência. Até o momento, o novo laudo não foi concluído.
Investigação segue aberta
No fim de 2025, a Justiça autorizou a continuidade das investigações após pedido do Ministério Público. Embora o inquérito tivesse sido encerrado anteriormente pela Polícia Civil com a conclusão de suicídio, o arquivamento definitivo acabou não sendo autorizado.
A Promotoria afirmou existir inconsistências nos laudos e também divergências em depoimentos colhidos ao longo da apuração. Com isso, novas linhas investigativas passaram a ser consideradas, entre elas instigação ao suicídio, homicídio com simulação de suicídio e omissão de socorro.
Pessoas próximas ao influenciador podem ser alvo das investigações. Até agora, porém, não existem suspeitos oficialmente apontados. O caso permanece em aberto para a Polícia Civil, o Ministério Público e a Justiça.
Reconstituição
Ouvida como testemunha, Maria Watanabe afirmou à Polícia Civil que tentou impedir a morte do ex-companheiro, mas não conseguiu. Segundo seu relato, ela saiu do apartamento pedindo ajuda aos gritos no corredor do prédio.
Uma vizinha declarou ter ouvido os pedidos de socorro e encontrado o influenciador pendurado pela cinta laranja. Ela relatou ainda que acionou a Polícia Militar e utilizou uma faca para cortar o objeto na tentativa de salvá-lo.
Em 20 de janeiro de 2026, a Polícia Técnico-Científica promoveu uma reconstituição do caso no edifício onde PC morava, no Campo Belo. Maria não participou da ação, alegando motivos pessoais.
Dias depois, em 30 de janeiro, a ex-namorada e a vizinha participaram de uma acareação realizada por videoconferência. O principal ponto de divergência era o horário em que o pedido de socorro teria ocorrido.
Segundo os depoimentos reunidos na investigação, PC teria cometido o ato na frente da ex-companheira. O relacionamento dos dois havia terminado dois dias antes da morte. Maria relatou que ele teria dito que queria se matar e afirmou não ter conseguido impedir a situação.
Amigos do influenciador também prestaram depoimento e contaram que o relacionamento era marcado por discussões frequentes, algumas delas transmitidas ao vivo nas redes sociais. Um dos relatos aponta que um amigo teria se envolvido com a ex após o término, situação que teria incomodado PC.
O que diz a defesa da ex-namorada
Neste mês, a advogada de Maria, Clarissa Azevedo, divulgou nota na qual afirma:
“A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela.
A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento.
Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional.
Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.
Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.”
Quem foi PC Siqueira
PC Siqueira ficou conhecido como um dos pioneiros da produção de conteúdo digital no Brasil, principalmente no YouTube. Além da atuação na internet, também comandou programas em emissoras como a MTV.
Antes da morte, ele era investigado por suspeita de divulgação de imagens de abuso sexual infantil, apuração iniciada após o vazamento de mensagens privadas em 2020. Posteriormente, perícias realizadas nos equipamentos apreendidos não identificaram esse tipo de conteúdo. O influenciador sempre negou as acusações.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso relacionado à investigação foi registrado em junho de 2024 como extinção da punibilidade. Com a morte do influenciador, o procedimento seria encerrado sem conclusão judicial.


