O “Domingo Legal” deste domingo (3) não foi só uma homenagem: foi uma reafirmação de tudo aquilo que Celso Portiolli representa dentro do SBT.
Celebrando 30 anos de carreira na emissora, o apresentador teve sua trajetória revisitada no palco, com direito a depoimentos, momentos marcantes e até um registro íntimo: o último áudio enviado por Silvio Santos, em que o dono do canal agradece diretamente ao comunicador. Um gesto simples, mas carregado de simbolismo para quem construiu uma relação de décadas com a casa.
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Mas o que mais chama atenção não é só a homenagem, e sim, o que ela revela. Portiolli virou, com o tempo, um tipo raro na televisão atual: um apresentador popular sem ruído. Num cenário em que muitos nomes transitam entre polêmicas, embates e desgaste de imagem, ele segue fazendo o oposto. É familiar, acessível e, principalmente, natural.
Isso fica evidente ao vivo. No meio do programa em sua homenagem, aliás, ele espirrou, pediu desculpa, explicou a situação e seguiu. Pode parecer banal e é justamente por isso que funciona. Essa espontaneidade, que não tenta ser personagem, é o que sustenta sua conexão com o público há tanto tempo.
Não à toa, ele é frequentemente associado à “cara do SBT”. Não só pelo tempo de casa, mas pelo estilo: entretenimento direto, leve, popular e sem pretensão.
E aqui entra um ponto importante: a audiência. O “Domingo Legal” não lidera. Aos domingos, a disputa é dura e a Globo segue como líder quase absoluta, independentemente da programação. Atualmente, Eliana mantém a dianteira com o “Em Família com Eliana”, consolidando bons números.
Ainda assim, o desempenho de Portiolli está longe de ser um problema. Pelo contrário.
Ser vice-líder constante nesse cenário é, na prática, um sinal de força. Especialmente quando se leva em conta a estabilidade do programa e a fidelidade do público; algo cada vez mais raro na TV aberta.
Mais do que disputar posição no ranking, o que Portiolli entrega é consistência. Ele não depende de picos virais, nem de polêmicas para se manter relevante. Seu trunfo é outro: previsibilidade no melhor sentido possível.
Trinta anos depois, a homenagem do SBT não foi apenas um tributo ao passado. Foi, sobretudo, um reconhecimento de um presente sólido e de um tipo de televisão que, mesmo fora da liderança, continua funcionando. E talvez esse seja o maior mérito de Celso Portiolli: ele não precisa ser o primeiro para continuar sendo indispensável.


