O acidente envolvendo um avião de pequeno porte que colidiu contra um edifício residencial em Belo Horizonte, Minas Gerais, deixou moradores em choque no início desta semana. A aeronave bateu diretamente no terceiro andar do prédio, onde ficam os apartamentos mais danificados pela tragédia. Entre eles está o imóvel da química Nathalia Braga Amaral, de 33 anos, que vive no local com o marido e os dois filhos pequenos.
Cinco pessoas estavam no monomotor no momento da queda. Três delas morreram. Apesar da violência do impacto, Nathalia, o marido, Fausto Avelar, síndico do condomínio, e os filhos, de 1 ano e 5 meses e outro de apenas 3 meses, escaparam porque estavam fora da capital mineira no momento da colisão.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Avião cai e atinge prédio residencial em Belo HorizonteFoto: Reprodução Apartamento destruído após ser invadido por aviãoFoto: Arquivo pessoal Avião de pequeno porte bateu em prédio em Belo Horizonte, Minas GeraisCrédito: Reprodução Globocop – Globo Avião de pequeno porte bateu em prédio em Belo Horizonte, Minas GeraisCrédito: Reprodução Globocop – Globo Avião de pequeno porte bateu em prédio em Belo Horizonte, Minas GeraisCrédito: Reprodução Globocop – Globo Avião cai e atinge prédio residencial em Belo HorizonteFoto: Reprodução Avião cai e atinge prédio residencial em Belo HorizonteFoto: Reprodução
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Em entrevista exclusiva a revista Crescer, a moradora contou que a família havia decidido permanecer por mais alguns dias na casa dos pais dela, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo Nathalia, a mudança de planos acabou salvando todos.
“No momento do acidente, estávamos na casa dos meus pais. Fomos para lá no sábado (2/5), fica em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Graças a Deus, estávamos lá no momento da colisão. Foi um dia atípico na nossa família. Como eu estou de licença-maternidade e meu marido poderia fazer home office, decidimos estender a estadia. Então, não voltamos por Deus mesmo, pois era para estarmos em casa.”
Ela explicou que a aeronave atingiu justamente a cozinha do apartamento da família, um local onde provavelmente estariam naquele horário.
“O meu apartamento fica no terceiro andar e foi o mais atingido. O avião entrou dentro da minha cozinha. Era 12h15 e, provavelmente, estaríamos na cozinha. Então, realmente foi Deus que nos tirou de lá, tenho muita certeza disso.”
A primeira notícia sobre a tragédia veio de uma vizinha do segundo andar, que estava em casa no momento da explosão.
“Logo após o acidente, a vizinha do segundo andar, que estava em casa com o marido, que é policial militar, e o filho de 6 anos, ouviu o estrondo e o demoronamento de paredes, onde o avião atravesso. Prontamente, eles tiraram o filho do prédio, levaram para a casa de parentes e voltaram para prestar socorro para as outras pessoas. Como não nos viu lá, ela nos ligou e disse: ‘Graças a Deus, vocês não estão aqui, pois caiu um avião no nosso prédio’.”
Ainda tentando entender o que havia acontecido, Nathalia contou que ligou a televisão e viu as imagens do acidente sendo exibidas nos noticiários.
“Ligamos a TV e foi a maior surpresa da minha vida, acho que nunca vou esquecer. A gente olhava para as imagens na TV e não acreditava. Queríamos saber como as pessoas estavam, ficamos pensando nas vítimas que estavam no prédio.”
Após deixarem os filhos com a avó, Nathalia e o marido retornaram para Belo Horizonte. O impacto da destruição, segundo ela, foi difícil de processar.
“Deixei meus filhos com minha mãe e voltamos para BH, que fica a cerca de uma hora de distância. Quando vimos o buraco no prédio e o avião caído foi algo inacreditável. A imagem do avião entrando no meu apartamento fica passando repetidamente na minha cabeça. A sensação é de incredulidade.”
O apartamento 301 foi o mais comprometido pela colisão. Nathalia descreveu o cenário encontrado no imóvel como devastador.
“Nosso apartamento é o 301, o mais atingido de todos do prédio. O avião entrou dentro da minha cozinha e levou tudo embora. Não reconheço mais minha cozinha. A pia, os armários planejados destruídos, panelas amassadas, porta, reboco, a parede da cozinha sumiu… Tudo irreconhecível. Meu fogão virou um terço do tamanho dele, totalmenme amassado. A máquina de lavar roupa ficou estilhaçada, as janelas completamente quebradas, a porta da minha sala foi arremessada… É cenário de guerra.”
Ela também relatou que peças da aeronave e objetos dos passageiros ficaram espalhados dentro do imóvel.
“O motor do avião foi parar na minha sala. Vários pertences dos tripulantes caídos entre as nossas coisas, vazou óleo do motor, pedaços de avião na minha sala e muito sangue espalhado pela escada. Nunca imaginei na minha vida passar por isso.”
Na noite de terça-feira (5/5), Nathalia conseguiu retornar ao apartamento pela primeira vez desde o acidente. Segundo ela, o processo de assimilação ainda está longe de terminar.
“Voltei para casa, pela primeira vez após o acidente, na noite dessa terça-feira (5) e, para ser sincera, ainda estamos tentando entender. É algo inacreditável. Psicologicamente, ainda estou assimilando tudo o que aconteceu. Nosso apartamento foi liberado pelo Cenipa [o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos] e pela Polícia Civil, e uma equipe iniciou a retirada dos escombros no prédio. A retirada desses materiais começou no fim do dia e vai continuar durante toda a quarta-feira (6/5).”
Apesar dos danos internos, a estrutura do prédio não teria sido comprometida, de acordo com a Defesa Civil.
“A Defesa Civil avisou que, apesar do impacto, não houve danos estruturais. Acredito que por ser um prédio mais antigo, tenha aguentado o baque do avião. Não houve nenhuma rachadura ou trincas. O avião entrou entre as vigas de sustentação do prédio, então será feito apenas um reparo. No n osso apartamenro, vamos ter que refazer paredes. Sei que pelo menos cinco vizinhos já voltaram, mas nosso retorno não deve ser tão rápido.”
Temporariamente, a família está hospedada no apartamento dos pais de Nathalia, em Belo Horizonte, enquanto tenta reorganizar a rotina com dois bebês pequenos.
“Nesse momento, estamos no apartamento dos meus pais, em BH. Meus filhos estão bem, estamos dormindo lá temporariamente até conseguirmos voltar pra casa. Estamos tentando manter a rotina para conseguirmos manter o mínimo de normalidade. Mas é um desafio muito grande, pois eles têm apenas 1 ano e um mês de diferença, então estamos com dois bebês em casa. O que já era desafiador, se tornou maior. Meu mais novo ainda está em aleitamento materno exclusivo.”
Em meio ao trauma, Nathalia afirma acreditar que a família viveu um livramento.
“Sei que tivemos uma grande graça de Deus em relação a nossa vida e a das crianças. Nós mesmos que cozinhamos, estaríamos na cozinha naquele momento, lavando a louça e brincando com as crianças. Meu filhos estariam comigo. Ficamos pensando: ‘E se tivessemos voltado’, ‘E se tivesse sido acontecido em outro dia…’. Somos uma família de classe média e não temos dinheiro para refazer e comprar tudo novo agora. Felizmente, faço terapia e meu psicólogico terá que ser trabalhado agora.”
Entenda o acidente
A aeronave havia partido de Teófilo Otoni, no interior de Minas Gerais, na manhã de segunda-feira (4/5). Após pousar no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, o monomotor decolou novamente às 12h16 com destino ao Campo de Marte, em São Paulo.
Imagens registradas por uma equipe do Globocop flagraram o momento da queda. O piloto Wellington Oliveira, de 34 anos, e o passageiro Fernando Souto, de 36, morreram ainda no local. O empresário Leonardo Berganholi, de 50 anos, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Outros dois ocupantes da aeronave, de 25 e 53 anos, seguem internados.


