Os casos de estupro de adolescentes no Acre voltaram a acender o alerta das autoridades durante a campanha Maio Laranja. Entre janeiro e março deste ano, o estado registrou 27 ocorrências envolvendo adolescentes e 123 casos de estupro de vulnerável.
Diante dos números, o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) lançou a campanha Infância Protegida para ampliar a tramitação de processos e acelerar audiências relacionadas aos crimes.
Durante o mutirão, a Justiça prevê a realização de 152 audiências em diferentes municípios acreanos. Segundo o TJ-AC, serão 44 audiências na 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco, 34 na Vara Criminal de Tarauacá e 18 na Vara da Infância e Juventude de Cruzeiro do Sul.
Dados da Polícia Civil apontam que os casos de estupro de vulnerável, que incluem vítimas com até 14 anos, seguem em níveis elevados no estado. Em anos anteriores, o Acre registrou 652 casos em 2025 e 759 em 2024.
A coordenadora da Infância e Juventude do TJ-AC, desembargadora Regina Ferrari, destacou que muitos casos acontecem dentro do ambiente familiar.
“Temos que dizer não à violência contra a criança e ao abuso sexual. Muitas vezes é no próprio lar onde ela mais precisa de proteção e acaba sendo violada”, afirmou.
Segundo o corregedor-geral de Justiça, Nonato Maia, a proposta da campanha é dar respostas mais rápidas aos processos envolvendo vítimas menores de idade.
“Além de conscientizar a sociedade, buscamos soluções concretas, viabilizando audiências e julgando processos em que crianças são vítimas”, explicou.
Levantamentos do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que a maioria das vítimas é do sexo feminino e que Rio Branco concentra grande parte das ocorrências.
A Polícia Civil informou que deve reforçar as ações de prevenção e investigação durante o Maio Laranja, com aumento de interrogatórios, pedidos de prisão e maior celeridade nos inquéritos.
A delegada Carla Fabíola, da Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Decav), destacou a importância das ações educativas.
“A gente atua diretamente com crianças e adolescentes para explicar o que é abuso, quais são os limites e como denunciar. Esse contato é essencial para prevenir novos casos”, disse.
As autoridades reforçam que denúncias podem interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas. Casos suspeitos podem ser denunciados pelo Disque 100, Polícia Militar, conselhos tutelares e delegacias especializadas.
Com informações do G1 Acre.


