A violência nas escolas públicas continua sendo um dos principais desafios enfrentados por gestores educacionais no Brasil. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (6) mostrou que 71,7% dos responsáveis por escolas têm dificuldades para discutir e enfrentar casos de bullying, racismo, capacitismo e outras formas de violência no ambiente escolar.
O levantamento foi realizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), com participação de 136 gestores de 105 escolas públicas estaduais e municipais.
Segundo o estudo, além da violência, as escolas também enfrentam dificuldades para aproximar famílias da comunidade escolar e fortalecer relações entre estudantes e professores.
A pesquisa revelou ainda que 67,9% dos gestores relatam dificuldades na aproximação entre escola, famílias e comunidade, enquanto 64,1% apontam problemas na construção de bons relacionamentos entre os alunos.
Outro dado que chama atenção é que 60,3% das escolas enfrentam desafios para desenvolver o sentimento de pertencimento dos estudantes e melhorar a relação entre alunos e professores.
O coordenador da pesquisa, Adriano Moro, destacou que muitas situações de violência acabam sendo naturalizadas dentro das escolas.
“Em alguns casos, adultos da escola veem agressões como brincadeiras. Isso diminui a gravidade das situações e pode levar à omissão justamente quando os estudantes mais precisam de apoio”, afirmou.
Segundo o pesquisador, muitas unidades de ensino também convivem com violência fora dos muros escolares, além da dificuldade de envolver famílias e comunidades no enfrentamento dos problemas.
A pesquisa apontou ainda que mais da metade das escolas participantes nunca realizou um diagnóstico estruturado sobre o clima escolar, considerado fundamental para orientar políticas de convivência e aprendizagem.
Outro ponto destacado no levantamento foi a sobrecarga dos profissionais da educação, que frequentemente precisam lidar com problemas imediatos em vez de atuar de forma preventiva.
Para os pesquisadores, um ambiente escolar positivo influencia diretamente o desempenho dos estudantes.
“Quando os estudantes se sentem respeitados e acolhidos, eles aprendem melhor e desenvolvem suas habilidades com mais confiança”, explicou Adriano Moro.
A divulgação da pesquisa ocorre na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho para discutir políticas de combate ao bullying e ao preconceito nas escolas brasileiras.
Com informações da Agência Brasil.


