O ataque a tiros registrado no Instituto São José, no centro de Rio Branco, na última terça-feira (5), continua sendo investigado pelas autoridades acreanas e ainda deixa diversos questionamentos sem resposta. O caso provocou forte comoção no estado e já é considerado o atentado mais letal contra uma instituição de ensino no Brasil em 2026.
Durante entrevista coletiva realizada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), representantes das forças de segurança detalharam o que já foi confirmado e quais pontos seguem sob investigação da Polícia Civil.

As vítimas fatais foram identificadas como Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, conhecida como “Zena”, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos. As duas trabalhavam na escola e morreram após serem atingidas pelos disparos dentro da unidade de ensino.
Adolescente de 13 anos confessou autoria
Segundo as autoridades, o responsável pelo ataque é um adolescente de 13 anos, estudante da própria escola. Após os disparos, ele deixou o local e se apresentou espontaneamente no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar.
De acordo com a comandante-geral da PM, coronel Marta Renata, o jovem chegou bastante nervoso, mas afirmou ser o autor do atentado.
Funcionárias tentaram impedir ataque
Testemunhas relataram que as duas funcionárias mortas tentaram conter o adolescente após ouvirem os primeiros disparos. Elas teriam agido para proteger estudantes e demais servidores da escola, mas acabaram baleadas durante a ação.

Apesar dos relatos, a Polícia Militar informou que a dinâmica completa do crime ainda depende da análise das imagens das câmeras de segurança.
Arma usada pertencia ao padrasto do adolescente
A investigação confirmou que o adolescente utilizou uma pistola calibre .380 registrada no nome do padrasto, o advogado Ruan de Mesquita Amorim, que possui registro como Caçador, Atirador e Colecionador (CAC).

A arma foi apreendida e encaminhada à Polícia Civil. Em nota, a defesa do advogado afirmou que o menor teve acesso indevido ao armamento, sem autorização ou conhecimento prévio do padrasto.
Ruan Amorim foi levado à Delegacia de Flagrantes (Defla) para prestar esclarecimentos e poderá responder por falta de cautela na guarda da arma de fogo.
Duas pessoas ficaram feridas

Além das duas mortes, outras duas pessoas ficaram feridas durante o atentado, entre elas uma estudante. Segundo as autoridades, os sobreviventes não correm risco de morte.
Polícia investiga possível participação de terceiros
Um dos principais pontos ainda investigados é se o adolescente teve ajuda de outras pessoas ou participação em grupos virtuais ligados a ataques escolares e conteúdos extremistas.

O celular do menor já foi apreendido e teve acesso autorizado pela Justiça. O material será analisado pela Polícia Civil.
A governadora Mailza Assis afirmou que existem indícios de que o adolescente pode não ter agido sozinho, embora a investigação ainda não confirme envolvimento de terceiros.
Aulas foram suspensas e governo decretou luto
Após o ataque, o governo do Acre suspendeu por três dias as aulas das redes estadual, municipal e particular em todo o estado. O retorno das atividades está previsto para a próxima segunda-feira (11).
Também foi decretado luto oficial de três dias. As bandeiras dos prédios públicos estaduais foram hasteadas a meio mastro em sinal de respeito às vítimas.
MEC enviará equipe especializada
O Ministério da Educação anunciou o envio de especialistas em violência escolar para prestar apoio à comunidade escolar atingida pelo atentado.

Equipes da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos também passaram a atuar no atendimento psicológico de familiares, estudantes e servidores da escola.
O que ainda falta esclarecer
Entre os principais pontos que seguem sob investigação estão a motivação do ataque, a quantidade de tiros disparados, a possível relação com casos de bullying e a existência de ameaças contra outras escolas.
A Polícia Civil também analisa imagens de câmeras de segurança e depoimentos para reconstruir toda a sequência do atentado.
Segundo as autoridades, a previsão é que as investigações sejam concluídas em até 30 dias.



