A investigação que culminou na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, durante a Operação Vérnix realizada nesta quinta-feira (21/5), começou a ser desenhada há cerca de seis anos. O ponto de partida, segundo a investigação da Polícia Civil, foi a apreensão de bilhetes e documentos manuscritos associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.
A operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em conjunto com a Polícia Civil busca desarticular um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado à facção criminosa.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Compra suspeita de Lamborghini Urus de Deolane Bezerra foi decisiva para prisõesReprodução: Instagram/@deolane Deolane Bezerra com roupa brilhosa e cabelo solto posando na escadaReprodução: Instagram Deolane BezerraReprodução: Instagram/@deolane Deolane BezerraReprodução: Instagram/@deolane Deolane Bezerra (Foto: Reprodução/Instagram) Deolane Bezerra (Foto: Reprodução/Instagram) Reprodução Instagram Deolane BezerraReprodução: Instagram/@deolane Deolane Bezerra (Foto: Reprodução/Instagram) Deolane Bezerra (Foto: Reprodução/Instagram) Deolane Bezerra (Foto: Reprodução/Instagram)
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De acordo com os investigadores, os bilhetes e manuscritos recolhidos pela Polícia Penal em 2019 deram origem a uma sequência de três inquéritos que passaram a mapear a engrenagem financeira do PCC. A apuração avançou até identificar pessoas próximas de Marco Herbas Camacho, o Marcola, e posteriormente chegou ao nome da influenciadora.
Os papéis apreendidos estavam em posse de dois detentos e traziam orientações internas da facção, contatos de integrantes da cúpula criminosa e ainda referências a possíveis ataques contra servidores públicos. Ambos os presos acabaram condenados e posteriormente transferidos para unidades do sistema penitenciário federal.
Durante a análise do material, os agentes encontraram a citação a uma “mulher da transportadora”, mencionada como responsável por obter endereços de agentes públicos para auxiliar ações planejadas pelo grupo criminoso.
A menção motivou a abertura de uma nova investigação voltada a identificar quem seria essa mulher e qual a relação entre uma empresa de transportes de Presidente Venceslau e o PCC.
Segundo a polícia, as diligências apontaram que a transportadora operava como uma empresa de fachada utilizada para ocultar recursos da organização criminosa.
Celular apreendido levou ao nome de Deolane
Já em 2021, a Operação “Lado a Lado” aprofundou as apurações sobre a transportadora, apontando indícios de patrimônio incompatível, movimentações financeiras suspeitas e crescimento econômico sem comprovação formal.
Durante a ação, os policiais apreenderam o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como um dos principais operadores do esquema. Conforme a investigação, o aparelho continha informações relacionadas à lavagem de dinheiro feita pela empresa Lado a Lado Transportes, também identificada como Lopes Lemos Transportes.
Os investigadores sustentam que Ciro era responsável pela compra de caminhões, pagamentos, movimentação de recursos ligados à cúpula do PCC, além de cumprir ordens de Marcola e de seu irmão, Alejandro Camacho. Ele também administraria bens em nome dos dois.
A partir da perícia feita no celular, uma nova linha investigativa passou a analisar supostas conexões financeiras envolvendo Deolane Bezerra.
Segundo a polícia, imagens armazenadas no aparelho indicariam depósitos destinados às contas da influenciadora e de Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa.
A investigação afirma que recursos provenientes da transportadora eram destinados a Marcola, Alejandro e familiares por meio de contas vinculadas a Everton e à influenciadora.
Entre os familiares citados nas investigações estão Alejandro Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho do líder da facção.
Ainda segundo os investigadores, Paloma estaria na Espanha intermediando negócios da família, enquanto Leonardo estaria na Bolívia e seria um dos destinatários do dinheiro lavado.
Marcola e Alejandro, que já cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília, também foram alvo de novos mandados de prisão preventiva.
Investigação aponta depósitos fracionados e ocultação financeira
A polícia afirma que Deolane Bezerra mantinha relações pessoais e comerciais com um dos supostos gestores ocultos da transportadora investigada.
Com base no cruzamento de documentos apreendidos e relatórios financeiros, os investigadores apontaram a influenciadora como destinatária de recursos oriundos do PCC.
Segundo a apuração, parte das transações teria ocorrido por meio de depósitos em espécie realizados a partir do caixa da facção criminosa.
Entre 2018 e 2021, a influenciadora teria recebido R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento bancário.
Os investigadores também afirmam que Everton “Player” indicava contas ligadas à influenciadora para realizar os chamados “fechamentos” mensais do esquema financeiro.
As apurações ainda identificaram cerca de 50 depósitos direcionados a duas empresas associadas a Deolane, totalizando R$ 716 mil. Os valores teriam sido enviados por uma empresa apresentada como banco de crédito cujo responsável, segundo a investigação, possui renda mensal próxima de um salário mínimo.
De acordo com os relatórios financeiros, não foram encontrados pagamentos compatíveis com os supostos créditos relacionados às transferências. Para a polícia, isso reforça indícios de ocultação e dissimulação de recursos ilícitos.
Os investigadores também afirmam não ter localizado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora.
Segundo a investigação, a visibilidade pública de Deolane Bezerra, assim como suas atividades empresariais e patrimoniais, funcionariam como “camadas de aparente legalidade” para esconder a origem do dinheiro.
Ao autorizar as prisões, a Justiça de São Paulo apontou riscos de destruição de provas, ocultação de patrimônio, interferência nas investigações e possibilidade de fuga dos investigados.
No total, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. A decisão judicial também determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões e a restrição de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
No caso da influenciadora, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores atribuídos a ela. Conforme a investigação, o patrimônio apresenta indícios de lavagem de dinheiro e origem financeira sem comprovação.


