29 de junho de 2026

SUS dá início a estudo com canetas para emagrecimento em pacientes com obesidade grave

SUS dá início a estudo com canetas para emagrecimento em pacientes com obesidade grave
SUS dá início a estudo com canetas para emagrecimento em pacientes com obesidade grave

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou na sexta-feira (26/6) uma pesquisa inédita para avaliar o uso de medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade. O projeto-piloto começou no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e acompanhará 250 pacientes com obesidade grave já atendidos pela unidade. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde e busca reunir evidências sobre a eficácia, a segurança e o impacto da semaglutida na rede pública.

O primeiro participante a receber a medicação foi o motorista de aplicativo Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anos, que passou pela aplicação inicial durante o lançamento oficial do estudo. O medicamento utilizado é fabricado pela Novo Nordisk.

- Publicidade -

Veja as fotosAbrir em tela cheia Ministro Alexandre Padilha durante anúncio do estudo em Porto Alegre nesta sexta-feira com aplicação em Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anosFoto: Rafael Nasciment/Ministério da Saúde Canetas emagrecedoraCrédito: Pexels Canetas emagrecedorasFoto: Gecko Studio/Shuttertsock Canetas emagrecedoraCrédito: Freepik Aplicação de caneta emagrecedoraReprodução: Freepik

Voltar
Próximo

Leia Também

Saúde
1ª caneta emagrecedora brasileira: saiba quando deve ser lançada e estimativa de valor

Saúde
Anvisa proíbe “canetas emagrecedoras” de tirzepatida das marcas Synedica e TG; Saiba o motivo!

Saúde
Anvisa suspende lote de dipirona após identificar risco de contaminação

Notícias
Associação defende tratamento integral no SUS para pessoas com obesidade

Ao longo dos próximos dois anos, os pesquisadores irão monitorar diversos indicadores relacionados ao tratamento, como redução de peso, qualidade de vida, resultados de exames, segurança da terapia, evolução clínica, recuperação após cirurgias e custos para o sistema público. A expectativa da pasta é verificar se o uso das canetas pode diminuir a necessidade de procedimentos como a cirurgia bariátrica e reduzir complicações associadas à obesidade.

A pesquisa será conduzida em parceria entre o Ministério da Saúde e a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição. O protocolo contempla pessoas com obesidade grave ou com obesidade acompanhada de outras doenças, como problemas cardiovasculares, que também possuam indicação para cirurgia bariátrica.

Para integrar o estudo, os participantes precisaram comprovar diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano. Além disso, foi exigida a demonstração de que tratamentos convencionais, incluindo dieta estruturada e prática regular de atividade física, não produziram os resultados esperados após, no mínimo, dois meses. Outro requisito é que o paciente tenha condições de aplicar a medicação por conta própria ou disponha de um cuidador responsável pelo procedimento.

O financiamento da pesquisa será feito por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), que recebeu recursos da farmacêutica Novo Nordisk. Por enquanto, não há previsão para que os medicamentos sejam incorporados definitivamente ao SUS, já que qualquer decisão dependerá dos resultados obtidos durante o estudo.

Além de mensurar os benefícios clínicos e econômicos do tratamento, a iniciativa pretende gerar dados nacionais que possam orientar futuras políticas públicas voltadas ao enfrentamento da obesidade grave.

“A ideia é avaliar como esse tipo de medicamento pode ser utilizado no sistema público. É possível que tenha impactos econômicos positivos, como reduzir fila de cirurgia bariátrica, reduzir complicações cardíacas relacionadas à obesidade e ao diabetes. Não vemos as canetas como milagres estéticos e nem como uma solução única para o problema da obesidade”, disse Padilha em entrevista ao GLOBO no último domingo.

Popularizados por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, os chamados agonistas do receptor de GLP-1 atuam em diferentes órgãos do corpo. No pâncreas, estimulam a liberação de insulina, motivo pelo qual também são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2. Já no sistema digestivo, retardam o esvaziamento do estômago, enquanto, no cérebro, aumentam a sensação de saciedade, favorecendo a perda de peso.

Os possíveis benefícios desses medicamentos também vêm sendo investigados em outras áreas da saúde. Um estudo divulgado recentemente na revista científica Annals of Oncology apontou que pacientes com obesidade tratados com canetas emagrecedoras apresentaram um risco 41% menor de desenvolver cânceres associados ao excesso de peso. A pesquisa foi a primeira a observar esse efeito em pessoas sem diagnóstico de diabetes.

O levantamento foi realizado por pesquisadores do Houston Methodist Hospital, nos Estados Unidos, que analisaram dados de 229.467 pacientes com obesidade cadastrados no banco de informações TriNetX, plataforma que reúne prontuários eletrônicos de aproximadamente 113 milhões de norte-americanos.

Enquanto isso, o mercado brasileiro também registra novidades. Pouco mais de dez dias atrás, começou a ser comercializado no país o Ozivy, medicamento desenvolvido pela farmacêutica EMS. O produto é o primeiro a utilizar semaglutida sintética aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2. Além dele, outros 17 pedidos de registro seguem em análise pela agência.

Por meio do programa Vida + Leve, a EMS oferece um kit com duas canetas multidose de 1 mg, suficiente para os três primeiros meses de tratamento, ao custo de R$ 863,23 — o equivalente a cerca de R$ 287 por mês.

Segundo a farmacêutica, o primeiro lote destinado ao mercado brasileiro contará com 500 mil canetas. A empresa projeta alcançar uma capacidade de produção de até 40 milhões de unidades por ano, resultado de investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão.

De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a estratégia do governo também passa pelo incentivo à concorrência no setor. Para isso, a Anvisa continuará avaliando novos pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida, o que poderá ampliar a oferta e contribuir para a redução dos preços.

“A gente quer se apropriar criada essa tecnologia, assim como o Brasil hoje se apropriou da produção de vacinas. Nós queremos entrar nesse seleto grupo de poucos países que produzem os chamados peptídeos”, afirmou.