29 de junho de 2026

Opinião: Jeniffer Nascimento prova que grandes atrizes não repetem personagens

Opinião: Jeniffer Nascimento prova que grandes atrizes não repetem personagens
Opinião: Jeniffer Nascimento prova que grandes atrizes não repetem personagens

A estreia de Jeniffer Nascimento em “Quem Ama Cuida” chamou atenção por um motivo que vai muito além da novidade de elenco. Pouco tempo depois de se despedir da doce Dita em “Êta Mundo Melhor!”, a atriz surgiu em cena como Nancy sem deixar qualquer vestígio da personagem anterior. E isso é mais difícil do que parece.

Na televisão, onde uma novela termina e outra começa praticamente sem intervalo, é comum que o público ainda enxergue traços do personagem anterior no novo papel. Com Jeniffer, acontece justamente o contrário. Nancy entra em cena como uma mulher de postura intimidadora, dona de uma fama construída dentro da prisão e capaz de impor respeito apenas com o olhar. Em nenhum momento lembra a ingenuidade, a delicadeza ou os trejeitos de Dita.

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O mais interessante, porém, acontece logo na sequência. Quando conversa com Adriana (Letícia Colin), Nancy deixa cair a máscara e revela outra camada da personagem. A suposta criminosa perigosa dá lugar a uma mulher marcada pelas circunstâncias, explicando por que foi parar na cadeia e por que alimenta a reputação de alguém temida por todos. Jeniffer muda completamente o tom da interpretação sem que essa virada pareça forçada. É uma transição natural, construída com pequenas mudanças de voz, expressão e postura.

Esse talvez seja o maior mérito da atriz: a capacidade de desaparecer dentro dos personagens. Em um intervalo curtíssimo entre duas novelas, ela entrega duas mulheres completamente distintas, sem repetir gestos, entonações ou qualquer característica facilmente identificável. O público não vê Dita tentando ser Nancy. Vê apenas Nancy.

É uma atuação que reforça Jeniffer Nascimento como uma atriz de enorme versatilidade, capaz de transitar entre gêneros e perfis completamente diferentes com uma naturalidade impressionante. Em tempos em que muitos intérpretes acabam presos a um mesmo tipo de personagem, ela mostra exatamente o contrário: cada papel nasce do zero.