Nesta segunda-feira (29/06) às 14h, talvez pela 1ª vez em sua história, a Seleção do Japão chega para encarar a Seleção Brasileira “de igual para igual” em uma Copa do Mundo. Em um forte processo de evolução local, os japoneses se colocam em condição de criar problemas para o Brasil. Muito disso se deve a um ídolo do futebol brasileiro, Arthur Antunes Coimbra, o Zico.
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Em 1991, aposentado há dois anos do futebol, Zico aceitou o convite para um aventura inusitada. O ídolo máximo do Flamengo recebeu uma proposta para “despendurar” as chuteiras e jogar por uma equipe da segunda divisão japonesa: Sumitomo Metals, que disputava a 2ª divisão local.
Até então, não era exagero dizer que o futebol japonês era amador. Com equipes controladas por grandes corporações, muito mas interessadas na exploração comercial do que na competitividade, e sem grande apelo do público, o Japão posava para o mundo do futebol como uma “sede” de jogos. O país já havia sediado a Copa do Mundo de juniores (antigo sub-20) de 1979 e também era onde aconteciam os jogos da antiga copa “Toyota” (antigo mundial de clubes). No entanto, os clubes e a seleção local nunca haviam tido sucesso esportivo. O Japão nunca havia participado de uma Copa do Mundo e os clubes locais era motivos de chacota no futebol asiático.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Hajime Moriyasu, técnico do Japão desde 2018, acredita na vitória contra a Seleção Brasileira.Reprodução/JFA Tsuyoshi Watanabe, Ayase Ueda e Shuto Machino antes do duelo entre Japão e Suécia.Reproduçção/JFA O atacante Daizen Maeda marcou o gol da equipe contra a Suécia, na última rodada do Grupo F.Reprodução/JFA O japonês Hajime Moriyasu elogiou a equipe brasileira e o treinador Carlo AncelottiReprodução: JFA Vini Jr. em amistoso contra o JapãoReprodução Cena de “Zico: O Samurai de Quintino”Crédito: Reprodução ZicoReprodução / Globo ZicoDivulgação ZicoDivulgação
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No entanto, com a chegada de Zico e outros grandes jogadores internacionais, também em fim de carreira, o futebol deu uma guinada profissional. Em 1992, com investimentos de grandes empresários, a federação local repaginou o campeonato local e fundou a “J-League”, a liga de futebol japonês.
O resultado do início do processo de profissionalização já começou a ter resultados quase imediatos. Em 1992, o Japão conquistou a Copa da Ásia. O objetivo final era ter uma equipe competitiva para a Copa do Mundo de 2002, que seria sediada no Japão e na Coreia do Sul.
Em 1993, a Seleção do Japão ficou muito próxima de se classificar para 1ª copa de sua história, em 1994, nos EUA. No entanto, a equipe levou um gol nos instantes finais na partida contra o Iraque e acabou ficando de fora. O fato foi tão traumático que os japoneses lembram daquele empate até hoje como a “tragédia de Doha (no Catar, local onde a partida foi realizada)”.
Por mais traumático que tenha sido, a equipe não perdeu o processo de profissionalização e, enquanto a J-League se desenvolvia, a Seleção Japonesa também colhia frutos. Em 1998, a equipe embarcou para a França para disputar a Copa pela 1ª vez. Dificultado por um grupo difícil: Argentina, Croácia e Jamaica, a equipe acabou ficando na lanterna do grupo com apenas 1 ponto.
Enquanto isso, Zico já havia voltado a se aposentar, mas seguiu acreditando no projeto japonês. O “Galinho de Quintino” virou diretor técnico do Kashima Antlers. Incorporando a mística e o espírito do futebol brasileiro ao projeto do clube, não demorou muito para a equipe se tornar a mais vitoriosa do futebol local. Com Zico como dirigente, a equipe contratou o ex-meio-campista do Brasil na copa de 1982, e enfilerou títulos nacionais.
A Seleção Japonesa seguia se desenvolvendo e sediou a Copa de 2002. Em campo, a equipe fez uma campanha histórica: venceu a Rússia e a Tunísia, empatou com a Bélgica e avançou para o mata-mata da Copa pela primeira vez. Nas oitavas, no entanto, acabou ficando pelo caminho dentro de casa em uma derrota para a Turquia.
Ao contrário do que muitas seleções que sediam a Copa fazem, o Japão seguiu investindo ainda mais no futebol local. Zico foi o escolhido para ser o treinador do Japão para o ciclo da Copa de 2006. Por mais que o desempenho na Copa tenha sido decepcionante (eliminado na fase de grupos, tendo uma derrota por 4 a 1 para o Brasil), o período foi importante para o amadurecimento tático e técnico da equipe.
Após o insucesso em 2006, Zico acabou saindo do Japão e foi em busca de aprofundar sua carreira na europa. Já consolidada no futebol, a seleção japonesa agora buscava “dar o próximo passo” no futebol internacional.
Sob o comando do técnico Hajime Moriyasu, a equipe avançou ainda mais no futebol internacional. Além disso, a presença de jogadores japoneses em grandes clubes europeus se tornou algo ainda mais comum.
A equipe conseguiu avançar ainda mais em seu projeto. Em 2018, por muito pouco na avançou às quartas de final da copa ao ser derrotada para a Bélgica nos acréscimos levando uma virada vencendo por 2 a 0. Em 2022, bateu na trave mais uma vez ao ser eliminado nos pênaltis para a Croácia.
Em 2026, o Japão busca evoluir ainda mais e tentará surpreender o Brasil a fim de “dar o recado” aos torcedores. Se vencer a Seleção Brasileira, o Japão passará em um mata-mata de Copa pela primeira vez.


