O Acre registra duas vítimas de estupro de vulnerável por dia em 2026, segundo dados divulgados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento revela um cenário alarmante de crescimento da violência sexual no estado.
Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizadas 232 vítimas de estupro de vulnerável, número que representa um aumento de 24,73% em relação ao mesmo período de 2025.
Na prática, os números mostram uma média aproximada de duas vítimas por dia em território acreano, evidenciando a gravidade da situação.
Os dados de junho ainda não foram divulgados pelo sistema oficial.
Pela legislação brasileira, o crime de estupro de vulnerável é configurado quando a vítima possui menos de 14 anos ou, por enfermidade, deficiência mental ou qualquer outra condição, não possui capacidade de consentir ou oferecer resistência ao ato.
As estatísticas também mostram que a maioria das vítimas é do sexo feminino.
Dos 232 registros contabilizados no período, 203 vítimas eram mulheres, o que corresponde a 87,5% do total. Já os homens representam 29 casos, equivalente a 12,5%.
A taxa estimada no Acre é de 62,72 vítimas por 100 mil habitantes nos cinco primeiros meses de 2026.
Os dados mensais revelam uma escalada preocupante ao longo do período analisado.
Em janeiro, foram registradas 39 vítimas. Em fevereiro, o número caiu para 32. Já em março, os casos subiram para 49.
O pico do ano foi registrado em abril, com 61 vítimas, sendo o mês com maior incidência até agora.
Em maio, o número recuou levemente, mas ainda permaneceu elevado, com 51 registros.
Além dos casos classificados como estupro de vulnerável, o Acre também registrou aumento nos casos de estupro em geral.
Entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizadas 56 vítimas, o que representa crescimento de 7,69% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Nesse recorte, 55 vítimas eram mulheres, representando 98,2% do total, enquanto apenas um caso teve vítima do sexo masculino.
A taxa estimada foi de 15,14 vítimas por 100 mil habitantes.
Na divisão mensal, janeiro e fevereiro tiveram 12 vítimas cada. Março registrou 16 casos, abril teve 9 e maio fechou com 7.
Um ponto que chama atenção nos dados é a ausência de detalhamento sobre os municípios onde os crimes ocorreram.
Os painéis estatísticos do Sinesp classificam todos os registros como “Não se aplica/Não informado”, impossibilitando a identificação das cidades.
As informações são encaminhadas pelas secretarias estaduais de segurança pública e podem passar por atualização posterior, seja por consolidação de dados ou reclassificação das ocorrências.
Especialistas alertam que o enfrentamento à violência sexual contra crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis depende de atuação integrada entre escolas, rede de saúde, assistência social, forças de segurança e órgãos de proteção.
Também reforçam a importância da denúncia imediata em qualquer suspeita de abuso, como ferramenta essencial para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas.
O aumento dos números no Acre acende um alerta sobre a necessidade urgente de políticas públicas mais efetivas e fortalecimento das redes de proteção à infância e adolescência.

Por Samoel Andrade


