O Brasil ocupa 75ª posição em ranking global de impunidade entre 172 países analisados no novo Atlas da Impunidade, divulgado pela consultoria internacional Eurasia Group. O levantamento expõe os níveis de abuso de poder sem responsabilização jurídica, institucional ou social em diferentes partes do mundo.
De acordo com o relatório, divulgado na última segunda-feira (29), o país alcançou uma pontuação geral de 42,76 em uma escala que vai de 0 a 100, onde quanto maior a nota, maiores são os índices de impunidade registrados.
O estudo avalia cinco grandes dimensões estruturais: conflito e violência, exploração econômica, governança sem responsabilização, violações de direitos humanos e degradação ambiental.
O cenário mais preocupante para o Brasil aparece justamente no eixo de conflito e violência.
Nesse indicador, o país aparece na 19ª pior colocação do mundo, com 61,09 pontos, um dado que reforça os desafios históricos relacionados à criminalidade, insegurança e fragilidade em mecanismos de responsabilização.
O relatório aponta que essa área concentra os maiores gargalos da realidade brasileira quando o assunto é impunidade sistêmica.
Já o melhor desempenho brasileiro foi registrado no campo da degradação ambiental.
Nesse indicador, o país aparece na 155ª posição, com 36,80 pontos, representando uma situação menos crítica em comparação com outros países analisados.
Nas demais áreas avaliadas pela Eurasia Group, o Brasil apresentou desempenho intermediário.
Na categoria governança sem responsabilização, ocupa a 113ª posição, com 39,57 pontos.
Em exploração econômica, aparece na 86ª colocação, com 39,96 pontos.
Já em violações de direitos humanos, figura na 81ª posição, somando 36,37 pontos.
Segundo os analistas do relatório, um dos principais fatores para o avanço da impunidade em nível global é a ausência ou enfraquecimento de mecanismos eficazes de controle e fiscalização do Estado.
O estudo também chama atenção para o papel da liberdade de imprensa nesse cenário.
De acordo com os pesquisadores, o enfraquecimento da atuação da imprensa livre foi a variável que apresentou maior deterioração entre todos os fatores analisados.
Os especialistas alertam que esse processo compromete o acesso da sociedade a informações de interesse público e reduz a capacidade de fiscalização social sobre o uso do poder.
Na avaliação da consultoria, isso pode ampliar ainda mais os espaços para abusos institucionais e desvios de conduta.
Apesar do cenário atual, o relatório mostra que a pontuação brasileira teve leve melhora nos últimos anos.
Em 2020, o Brasil registrava 44,53 pontos. Em 2022, a nota subiu para 44,86 e agora caiu para 42,76.
Mesmo assim, o posicionamento global variou entre a 61ª e a 75ª colocação no período, o que mostra oscilações no comparativo internacional.
O Atlas da Impunidade ainda alerta para o crescimento da desigualdade na responsabilização entre países.
Segundo o documento, as nações mais transparentes continuam avançando, enquanto os países com maiores dificuldades institucionais seguem enfrentando desafios estruturais cada vez mais complexos.
O novo levantamento reacende debates sobre segurança pública, combate à corrupção, fortalecimento institucional e preservação das liberdades democráticas no Brasil.
Por Samoel Andrade



