1 de julho de 2026

Sistema de saúde da Venezuela entra em colapso após terremotos; mortos chegam a 1.943

Sistema de saúde da Venezuela entra em colapso após terremotos; mortos chegam a 1.943
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Seis dias após os terremotos que devastaram a costa norte da Venezuela, o país enfrenta uma grave crise humanitária. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema de saúde venezuelano opera no limite da capacidade, enquanto o número oficial de mortos chegou a 1.943, conforme atualização divulgada nesta terça-feira (30).

Além da destruição provocada pelos tremores, a OMS alerta para o risco de agravamento da situação devido à falta de atendimento médico, escassez de alimentos e possibilidade de surtos de doenças como dengue e febre amarela.

- Publicidade -

Hospitais danificados e profissionais desaparecidos

De acordo com a OMS, pelo menos nove hospitais tiveram suas estruturas comprometidas e precisaram reduzir ou interromper os atendimentos.

A situação é agravada pelo desaparecimento de profissionais da saúde. Médicos e enfermeiros estão entre as milhares de pessoas que ainda não foram localizadas desde os terremotos, dificultando ainda mais o funcionamento das unidades hospitalares.

Enquanto isso, o porto de La Guaira, uma das áreas mais atingidas, passou a funcionar como um necrotério improvisado diante da quantidade de vítimas.

Brasil amplia ajuda humanitária

O Brasil segue reforçando sua missão humanitária no país vizinho.

A Marinha montou um hospital de campanha em La Guaira com capacidade para atender cerca de 150 pessoas por dia. Segundo a comandante Marisa Martins, além dos ferimentos causados pelos desabamentos, muitas vítimas perderam medicamentos e pertences durante a tragédia.

Nesta terça-feira (30), a Força Aérea Brasileira enviou o quinto voo com mais de cinco toneladas de equipamentos médicos e suprimentos destinados à ampliação da estrutura de atendimento.

Ao todo, o Brasil mobilizou cerca de 100 militares, além de 71 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que atuam nas operações de busca e resgate.

O ministro da Defesa, José Múcio, também esteve na Venezuela para acompanhar os trabalhos e se reuniu com a presidente interina Delcy Rodríguez.

Ajuda internacional cresce

Pelo menos 30 países enviaram equipes de apoio à Venezuela.

Segundo informações oficiais, mais de 3.600 socorristas estrangeiros participam das operações de resgate, incluindo profissionais dos Estados Unidos, El Salvador, Jordânia e diversos outros países.

Entre os resgates registrados nesta terça-feira está o de um menino de três anos encontrado com vida após permanecer seis dias sob os escombros. Equipes de El Salvador também conseguiram localizar um filhote de cachorro preso entre os destroços de um edifício.

Histórias de sobrevivência

Entre os sobreviventes está Anderson, de 21 anos, deportado dos Estados Unidos poucas horas antes dos terremotos.

Após permanecer quase dois dias soterrado, ele foi resgatado com vida, mas precisou amputar as duas pernas e segue internado em estado grave.

Casos como o dele refletem a dimensão da tragédia enfrentada pela população venezuelana, enquanto as equipes continuam trabalhando na busca por desaparecidos.