15 de julho de 2026

GAECO apura ameaças a liderança indígena e possível atuação de facção em Porto Walter

Apuração aponta possível influência de facções criminosas em comunidade indígena do interior do Acre.

GAECO apura ameaças a liderança indígena e possível atuação de facção em Porto Walter
Foto: Reprodução.

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), instaurou uma Notícia de Fato Criminal para apurar ameaças contra uma liderança indígena e a possível atuação de uma organização criminosa em uma comunidade localizada no município de Porto Walter.

Como parte das investigações, o MPAC realizou nesta terça-feira (14) uma visita à aldeia para colher depoimentos e reunir informações que irão subsidiar a elaboração de um relatório técnico sobre os fatos apurados.

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A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, coordenador-geral do Gaeco em exercício, e contou com apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que disponibilizou aeronaves do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) para o deslocamento da equipe até a comunidade.

Também participou da atividade um servidor do Projeto Txai, iniciativa desenvolvida pelo MPAC para fortalecer políticas públicas voltadas à proteção e defesa dos direitos fundamentais dos povos indígenas no Acre, acompanhando demandas ligadas à educação, saúde e segurança pública.

Segundo as informações levantadas durante as apurações, os crimes investigados estariam inseridos em um contexto de criminalidade organizada. De acordo com o Ministério Público, facções criminosas buscam controlar as calhas fluviais da região para garantir rotas utilizadas pelo narcotráfico transnacional.

Foto: Reprodução.

Ainda conforme os dados obtidos, a atuação desses grupos tem contribuído para um cenário de medo dentro das comunidades, além da cooptação de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Durante a diligência, o MPAC ouviu lideranças indígenas e identificou possíveis autores de crimes como ameaça, furto qualificado, tráfico de drogas e promoção de organização criminosa.

Com a instauração da Notícia de Fato Criminal, o Gaeco determinou a adoção de novas medidas investigativas, incluindo a requisição de informações à Polícia Civil e o compartilhamento de dados de inteligência relacionados à atuação de facções criminosas na região.

Foto: Reprodução.

O Ministério Público informou ainda que serão realizadas ações integradas com o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para reforçar a fiscalização e contribuir para a pacificação da área indígena.

As informações reunidas servirão de base para a atuação conjunta do MPAC com os órgãos de segurança pública. O Gaeco também mantém contato com a Polícia Civil de Porto Walter para aprofundar as investigações e buscar a responsabilização criminal dos envolvidos.