15 de julho de 2026

Saiba quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação por suposta fraude bilionária

Saiba quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação por suposta fraude bilionária

Saiba quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação por suposta fraude bilionária

As investigações apontam que um dos principais núcleos da organização criminosa teria ligação com o grupo econômico de Nelson Wilians

- Publicidade -

Nelson Wilians (Foto: Reprodução)

Conhecido por comandar um dos maiores escritórios de advocacia empresarial da América Latina, representar clientes famosos e ostentar uma rotina de luxo nas redes sociais, Nelson Wilians voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (15/7). O advogado é um dos alvos da Operação Distrato, que apura um suposto esquema de venda de créditos falsos de ICMS responsável por um prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres do Estado de São Paulo.

As investigações apontam que um dos principais núcleos da organização criminosa teria ligação com o grupo econômico de Wilians. Por esse motivo, o escritório de advocacia fundado por ele foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Veja as fotos

Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributáriosFoto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP O advogado Nelson Wilians durante Operação Distrato, que faz buscas em seu escritórioFoto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributáriosFoto: Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP Nelson WiliansFoto: Reprodução Os advogados Nelson e Anne Wilians, casal alvo da Operação Distrato nesta quarta-feira (15/7)Foto: Reprodução/Instagram Nelson WiliansFoto: Reprodução

Nenhum item relacionado encontrado.

Também é investigada a advogada Mayra de Paula, em Londrina (PR). Conforme a apuração, ela seria “sócia” de Willians nas fraudes.

Ao todo, a Operação Distrato cumpre 38 mandados de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. As diligências ocorrem em São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina (PR) e Cambé (PR).

Já havia sido alvo da Polícia Federal

Essa não é a primeira vez que Nelson Wilians entra na mira das autoridades. Em setembro do ano passado, o advogado também foi alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Federal que apurava um suposto esquema de fraudes relacionado ao INSS.

Durante aquela operação, agentes apreenderam diversos bens de alto valor em imóveis ligados ao advogado, entre eles armas, esculturas e veículos de luxo, como uma Ferrari e um Porsche.

Nas redes sociais, onde reúne mais de 1,4 milhão de seguidores apenas no Instagram, Wilians costuma compartilhar momentos da vida profissional, palestras, viagens internacionais e registros ao lado da família.

Além do grupo econômico ligado ao advogado, a operação desta quarta-feira também tem como foco outros dois grupos que atuariam com consultorias e serviços de planejamento tributário: Alpha e Dmc.

Trajetória

Natural de Cianorte, no Paraná, Nelson Wilians construiu carreira na advocacia empresarial e fundou o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV). Ele ganhou notoriedade nacional ao atuar na defesa de Rose Miriam, mãe dos filhos do apresentador Gugu Liberato, na disputa judicial envolvendo a herança do comunicador.

Filho de pequenos produtores rurais, tornou-se conhecido no meio jurídico e empresarial. Foi o primeiro advogado a estampar a capa da revista Forbes e também se apresenta como empreendedor no setor jurídico.

Graduado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, interior paulista, Wilians é fundador e CEO do NWADV, considerado um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e da América Latina em número de profissionais e presença nacional.

Casado com a advogada Anne Wilians, ele é pai de quatro filhos. Anne também integra o quadro societário do escritório e igualmente figura entre os alvos da Operação Distrato.

O advogado ainda patrocina o piloto Paulinho De’ Carli e possui registro como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). Conforme informações divulgadas anteriormente pela Polícia Federal, ele possui mais de dez armas registradas, entre elas um fuzil apreendido durante a operação relacionada ao INSS. Na ocasião, a corporação informou que pediria à Justiça o cancelamento do registro do arsenal.

Além da coleção de veículos de luxo, Wilians também mantinha um acervo de obras de arte. Durante a ação da Polícia Federal realizada em setembro de 2025, foram apreendidos quadros atribuídos a Portinari e Di Cavalcanti, além de esculturas de elevado valor artístico.

Entre os automóveis recolhidos estavam uma Ferrari, um Porsche e um Rolls-Royce equipado com banco de couro, teto estrelado e avaliado em cerca de R$ 11 milhões.

Os agentes também localizaram esculturas em bronze, incluindo uma reprodução de “O Pensador”, de Auguste Rodin, além de peças de temática sensual assinadas pelo escultor austríaco Bruno Zach.

Como funcionaria o esquema

Segundo as investigações conduzidas pelo governo paulista, o grupo utilizava empresas sem atividade econômica efetiva ou sem estrutura operacional para gerar documentos fiscais que criavam artificialmente créditos de ICMS. Posteriormente, esses créditos eram incorporados à escrituração fiscal de empresas interessadas em reduzir tributos.

De acordo com os investigadores, os suspeitos ofereciam esses créditos, principalmente a pequenas e médias empresas, alegando que eram legítimos. No entanto, as autoridades afirmam que os documentos eram fraudulentos. Após a aplicação de multas pelo Fisco, o grupo ainda apresentaria comprovantes e registros eletrônicos falsos indicando que as penalidades haviam sido quitadas.

Ainda conforme a investigação, um dos advogados costumava chegar às reuniões utilizando helicópteros e veículos importados para transmitir credibilidade aos clientes.

O ICMS é um imposto estadual cobrado sobre a circulação de mercadorias, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e serviços de comunicação. Trata-se da principal fonte de arrecadação tributária dos estados.

As apurações indicam que escritórios de advocacia, consultorias e empresas intermediadoras teriam desempenhado papel relevante no esquema, captando clientes, elaborando contratos e produzindo pareceres jurídicos para sustentar a legalidade das operações perante o Fisco.

Além do grupo ligado a Nelson Wilians, os investigadores também apuram a atuação dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos negociados, os suspeitos alegavam, entre outros argumentos, direitos oriundos de massas falidas e antigas decisões judiciais relacionadas a desapropriações.

Segundo o CIRA/SP, para conferir aparência de legalidade às operações, a organização utilizava diferentes estratégias, como o emprego indevido de normas administrativas e de decisões judiciais sem trânsito em julgado, a apresentação de despachos supostamente falsificados atribuídos a auditores fiscais, a negociação de créditos sem qualquer vínculo real com o ICMS e o uso de contratos simulados de “cessões” ou “gerenciamentos” para formalizar o negócio ilícito.

Até o momento, o comitê instaurou 874 Ordens de Serviço Fiscal para examinar aproximadamente 9.960 lançamentos considerados suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. A investigação busca identificar quem aderiu conscientemente ao esquema e separar esses casos daqueles em que empresários possam ter sido induzidos ao erro.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que as fiscalizações já resultaram na emissão de autos de infração contra 752 empresas.

Fique por dentro!

Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga @leodias no Instagram.

Agora também estamos no WhatsApp! Clique aqui e receba todas as notícias e conteúdos exclusivos em primeira mão.

Tags:Nelson Wilians, Operação Distrato

<!– Comentários –>


Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Karol Gomes.