A Justiça do Acre manteve a prisão preventiva da madrasta investigada por suspeita de obrigar uma menina de 11 anos a ingerir soda cáustica, em Rio Branco. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta terça-feira (14).
A mulher havia se apresentado espontaneamente na segunda-feira (13) ao Ministério Público do Acre (MP-AC), acompanhada de seu advogado, após a decretação de sua prisão preventiva.
Já o pai da criança, que também é investigado pelos supostos crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos, continua foragido.
Advogado cita gravidez e filhos, mas prisão foi mantida
Durante a audiência, a defesa argumentou que a investigada possui bons antecedentes, está grávida de sete meses e é mãe de crianças pequenas, além de estar amamentando.
Mesmo assim, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva.
Segundo o advogado, o caso possui grande repercussão pública, fator que, segundo ele, também influenciou a decisão judicial.
Criança permanece internada na UTI
A menina foi internada no dia 3 de julho após apresentar graves lesões compatíveis com a ingestão de soda cáustica.
De acordo com a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta que a madrasta teria obrigado a criança a ingerir a substância.
A vítima continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, em Rio Branco, e o processo tramita sob segredo de Justiça.
Prisões foram decretadas após pedido do Ministério Público
A prisão preventiva do casal foi decretada no último sábado (11), após pedido do Ministério Público do Acre.
Segundo o órgão, os fatos investigados indicam possível prática de crimes cometidos mediante extrema crueldade, no contexto de violência doméstica e familiar contra a criança.
Na decisão, a Justiça destacou a vulnerabilidade da vítima, a necessidade de preservar a investigação e o risco de reiteração das condutas.
Em relação ao pai da menina, também foi considerado o risco de fuga.
Mãe afirma que ficou oito anos sem ver a filha
A mãe da criança afirmou que passou mais de oito anos sem conseguir conviver com a filha devido a episódios de violência doméstica sofridos durante o relacionamento com o pai da menina.
Moradora da zona rural de Boca do Acre (AM), ela viajou até Rio Branco após tomar conhecimento da internação da filha.
Segundo relato da mulher, o reencontro ocorreu dentro do hospital.
“Quando ela me viu, começou a chorar e eu também. Eu apenas disse que estava ao lado dela e que ela nunca mais estaria sozinha”, contou.
Conselho Tutelar alerta sobre golpes
O Conselho Tutelar informou que toda a rede de proteção foi acionada para acompanhar o caso e garantir os direitos da criança.
O órgão também alertou a população para que não compartilhe imagens da vítima nem realize doações via Pix em campanhas não oficiais divulgadas nas redes sociais.
Segundo os conselheiros, qualquer necessidade da menina será atendida pelos órgãos públicos competentes.
Investigação continua
Além da investigação conduzida pela Polícia Civil, o Ministério Público instaurou procedimento para acompanhar o caso.
Entre as medidas determinadas estão a realização de perícia na substância química supostamente ingerida pela criança e exames nas lesões apresentadas pela vítima.
As investigações apuram possíveis crimes de tentativa de homicídio, tortura e maus-tratos.
A Polícia Civil informou que, neste momento, não divulgará novos detalhes para não comprometer o andamento das investigações.


