A mãe denuncia negligência após morte de bebê prematuro no Acre e cobra esclarecimentos sobre o atendimento prestado ao filho na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco. Mayra Silva Chaves, de 40 anos, questiona a causa da morte do pequeno Lucas Gabriel Chaves Santiago, que faleceu aos 24 dias de vida, e afirma que os sinais apresentados pelo bebê antes do óbito não receberam a devida atenção da equipe médica.
O caso é acompanhado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) e também é investigado pela Polícia Civil.
Mãe questiona diagnóstico informado pela maternidade
Lucas Gabriel nasceu prematuro, com 32 semanas de gestação, no dia 18 de abril, após Mayra desenvolver um quadro de pré-eclâmpsia durante uma gravidez considerada de alto risco.
Desde o nascimento, o bebê permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo a mãe, o filho apresentava evolução clínica positiva e já havia encerrado o tratamento com antibióticos dias antes da morte.
“Como disseram que meu filho morreu de infecção generalizada se, segundo os médicos, ele já tinha terminado o tratamento e estava bem?”, questionou.
Na certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como sepse, conhecida popularmente como infecção generalizada.
Mãe relata que alertou equipe sobre dores e machucados
Mayra afirma que, dias antes da morte, percebeu que Lucas chorava com frequência, levava as mãos à cabeça e tentava retirar o aparelho CPAP, utilizado para auxiliar sua respiração.
Ela conta que informou a situação à equipe médica e demonstrou preocupação com possíveis ferimentos provocados pelo equipamento.
Segundo a mãe, após os questionamentos foi realizada uma ultrassonografia craniana de emergência, que identificou um pequeno coágulo de sangue.
“Disseram que era normal em crianças prematuras, mas eu tinha avisado que ele estava sentindo dor”, afirmou.
Bebê morreu horas após receber alta expectativa da equipe
Mayra esteve com o filho pela última vez no dia 11 de maio, quando realizou o método canguru.
Ela afirma que recebeu da equipe médica informações de que Lucas estava estável, ganhando peso e próximo de deixar a UTI.
Na madrugada seguinte, entretanto, recebeu uma ligação informando que o estado de saúde do bebê havia se agravado.
Quando chegou à maternidade, Lucas já estava morto.
Família diz que encontrou bebê com machucados
A mãe afirma que retirou a touca que cobria a cabeça do filho e encontrou hematomas na região onde o CPAP era utilizado.
Ela também relata ter percebido que a ponta de um dos dedos do bebê estava faltando durante o velório.
“Até hoje ninguém explicou por que meu filho estava machucado e por que faltava a ponta do dedo dele”, declarou.
Caso é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo MP
Após a morte do filho, Mayra registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
O Ministério Público informou que acompanha o inquérito policial instaurado para apurar as circunstâncias da morte e que adotará as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.
Sesacre diz que não recebeu denúncia formal
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que não havia, até o momento, registro formal da denúncia na Ouvidoria da Maternidade Bárbara Heliodora nem comunicação oficial do Ministério Público sobre os fatos relatados.
A pasta afirmou que fará contato com a mãe para formalizar a manifestação e instaurar procedimento interno de apuração.
Segundo a Sesacre, a investigação administrativa será conduzida pela Comissão de Revisão de Óbitos, responsável por avaliar tecnicamente os atendimentos prestados pela rede estadual de saúde.


