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MPF cobra recuperação de ramais para aldeias em Feijó

Comunidades indígenas enfrentam dificuldades de abastecimento devido às condições precárias das estradas.

Camila Souza Por

Os ramais para aldeias indígenas em Feijó devem passar por obras de recuperação após recomendação do Ministério Público Federal (MPF) ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e à Prefeitura de Feijó. A medida busca garantir o abastecimento e o acesso às comunidades da Terra Indígena Katukina-Kaxinawá, que enfrentam dificuldades devido às más condições das estradas.

O documento foi assinado pelo procurador da República Luidgi Merlo Paiva dos Santos e determina que os órgãos atuem de forma conjunta para recuperar quase 50 quilômetros de vias que interligam as aldeias da região.

Segundo o MPF, a situação se agravou após a severa crise hídrica registrada na Amazônia em 2025. Com a redução dos níveis dos rios, muitas comunidades passaram a depender ainda mais do acesso terrestre para receber alimentos, medicamentos, materiais escolares e outros insumos essenciais.

A recomendação estabelece prazo de 60 dias para a execução dos serviços de melhoramento dos ramais. O Deracre também deverá informar em até cinco dias se irá acatar ou não a orientação, além de apresentar as medidas previstas para cumprir a determinação.

De acordo com o documento, a Prefeitura de Feijó já manifestou disposição para disponibilizar máquinas e equipes para os trabalhos. No entanto, a recuperação das estradas não avançou por falta de combustível para operar os equipamentos.

O MPF aponta que seriam necessários aproximadamente oito mil litros de óleo diesel S10 para a realização completa dos serviços.

A recomendação menciona ainda que a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) estuda apoiar a ação por meio do custeio de dois mil litros de combustível, com participação da Associação dos Produtores Artesãos e Criadores da Aldeia Boa União (Aproac). Para o Ministério Público Federal, entretanto, o volume previsto é insuficiente para atender toda a demanda.

O órgão destaca que a recuperação dos ramais é fundamental não apenas para garantir o abastecimento emergencial das aldeias, mas também para assegurar direitos básicos das comunidades indígenas.

Entre os serviços que dependem diretamente das estradas estão o atendimento de saúde, o transporte escolar, o deslocamento de moradores, o escoamento da produção local, a entrega de materiais para escolas indígenas e a manutenção da rede elétrica.

Na recomendação, o MPF alerta que o descumprimento da medida poderá resultar na adoção de providências judiciais cabíveis, inclusive com eventual responsabilização dos órgãos envolvidos por omissão.

Procurado, o Deracre informou que recebeu a recomendação e que o documento será analisado pelos setores técnicos e jurídicos competentes dentro dos prazos estabelecidos pelo Ministério Público Federal.

Com informações do G1 Acre.