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PM detalha histórico de violência doméstica do suspeito de matar capitã em BH

Por Elanilza Carneiro

Belo Horizonte – O 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso por ser suspeito de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41, já havia sido apontado como autor de violência doméstica contra outras duas mulheres antes do suposto feminicídio.

A informação foi confirmada após o velório de Michele, na Capela da Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte, pelo Capitão Veríssimo, porta-voz da PMMG.

“O importante é deixar isso bem transparente para a população. O sargento preso em flagrante tinha três boletins de ocorrência nos quais figurou como autor de violência doméstica. Um em 2014, quando ainda não era policial militar, e outro em 2016, já após reingressar na instituição, envolvendo outra mulher. A Polícia Militar adotou todas as providências cabíveis e encaminhou as informações aos órgãos competentes”, afirmou.

O Metrópoles procurou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para verificar quais foram os desdobramentos dos boletins de ocorrência. A A PCMG informou que os inquéritos foram concluídos e encaminhados ao Judiciário. Já o TJMG explicou que não localizou processos públicos em nome do militar, destacando que ações criminais antigas podem não constar no Processo Judicial Eletrônico (PJe), implantado a partir de 2015, e que casos de violência doméstica costumam tramitar sob segredo de Justiça.

O tribunal também não descartou a possibilidade de eventual ação ter tramitado na Justiça Militar.

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O capitão também revelou que Eduardo chegou a ser exonerado da PM durante o processo de ingresso na corporação por omitir, na ficha de admissão, que havia sido apreendido quando por porte ilegal de arma de fogo.

“Ele foi submetido a um processo administrativo e exonerado porque omitiu que havia sido apreendido quando menor por porte ilegal de arma de fogo. Essa informação deveria constar na documentação apresentada à instituição. Depois, por decisão judicial, ele retornou à PM em 2015“, explicou.

Apesar da exoneração administrativa, Eduardo conseguiu retornar à corporação após obter decisão favorável na Justiça.

Prisão preventiva

Eduardo Abner teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada, também, nesta quarta-feira (22/7). O procedimento ocorreu na Central de Audiência de Custódia da Comarca de Belo Horizonte (Ceac-BH), no bairro Lagoinha, na Região Noroeste da capital.

A decisão é do juiz Antônio Francisco Gonçalves e partiu do entendimento que “a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública”. A pedido da defesa do sargento, o caso foi colocado sob sigilo pela Justiça, com a intenção de “resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos”.

A defesa do sargento informou que vai recorrer da decisão que manteve o militar preso.

O caso

Michele Leão Azevedo morreu na noite de segunda-feira (20/7) após ser levada já sem vida pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. O próprio Eduardo Abner conduziu a esposa até a unidade de saúde.

Em depoimento, o sargento afirmou que o casal havia promovido uma festa na residência na noite anterior e que, após a saída dos convidados, os dois consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo ele, Michele sofreu uma queda da escada por volta do meio-dia de segunda-feira, bateu a cabeça e recusou atendimento médico. O militar disse que os dois dormiram e que só percebeu que ela não respondia mais horas depois, quando decidiu levá-la ao hospital.

A versão, porém, passou a ser contestada ainda na unidade de saúde.

Os médicos constataram que Michele já havia morrido entre quatro e seis horas antes de chegar ao hospital. Além do traumatismo craniano, ela apresentava diversas lesões pelo corpo, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um ferimento considerado grave na face.

Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que a quantidade e a gravidade das lesões eram incompatíveis, em um primeiro momento, com a versão apresentada pelo sargento. O delegado Saulo Castro afirmou que uma “lesão muito contundente na face” chamou a atenção da equipe responsável pela investigação.

Outro elemento que agravou a situação do militar ocorreu dentro do hospital. Policiais militares flagraram Eduardo Abner tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do banheiro da unidade. A droga foi apreendida, e ele também passou a responder por tráfico de drogas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Elanilza Carneiro.