O chamamento público que culminou na escolha da FUABC em março deste ano, foi aberto pelo próprio Soares, em dezembro de 2025, quando ocupava o cargo de coordenador da Secretaria da Saúde do governo Tarcísio.
Como revelou o Metrópoles, o caso é citado como um episódio fundamental no processo do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a fundação e o governo estadual em que a promotoria pede o encerramento do contrato de terceirização.
Essa foi a primeira vez que o governador atuou diretamente na indicação do presidente da Fundação ABC e decorreu de um desentendimento do acordo firmado entre os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
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do Metrópoles SP
Antes, cada uma das três prefeituras tinha a prerrogativa de determinar o presidente da fundação e se revezavam a cada dois anos.
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Tarcísio mediou impasse
O governador foi acionado pelos prefeitos do ABC para resolver um impasse. O rodízio foi quebrado quando o ex-prefeito de São Caetano do Sul José Auricchio Jr. (PSD) indicou Regina Maura (PSD), atual vice-prefeita do município, e ela renunciou.
No lugar de Regina Maura, o então prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (MDB), indicou Luiz Mário como presidente da fundação.
Na próxima rodada, o atual prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella (PL), reivindicou a indicação, mas os demais prefeitos não aceitaram que o município tivesse, novamente, a prerrogativa de escolher o presidente da entidade.
Em dezembro do ano passado, Tarcísio reconheceu, em entrevista coletiva, que tinha indicado o presidente em conversa com os prefeitos Gilvan Ferreira (Cidadania), de Santo André; Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo do Campo; e Campanella, de São Caetano.
“Pediram uma indicação de uma pessoa que tivesse experiência para comandar a fundação e indicamos uma pessoa com experiência, fazendo um bom trabalho na saúde, que faz a administração de todos os nossos hospitais e ofertamos esse nome para que fosse submetido aos municípios”, disse o governador.
A reportagem apurou que Aldemir Humberto Soares é próximo ao secretário de Saúde, Eleuses Paiva. O governo não respondeu se a indicação partiu de Paiva.
Apuração do MPSP
- O MPSP começou a apurar irregularidades no Hospital Emílio Ribas a partir de uma denúncia do Sindicato dos Médicos de São Paulo, em janeiro de 2021. Um inquérito civil foi instaurado em março daquele ano.
- Em junho de 2026, foi ajuizada uma ação civil pública. O principal ponto é a contratação da fundação para terceirizar profissionais de leitos de UTI e enfermaria no Emílio Ribas, mesmo com concursos públicos homologados e válidos.
- Os concursos chegaram a expirar e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendeu o prazo de expiração. O governo do Estado não informou sobre uma data para chamar os profissionais concursados.
- O MPSP também apura uma “ofensa ao princípio da impessoalidade, da moralidade e da primazia do interesse público nas contratações” por conta da atuação de Aldemir Humberto Soares no governo Tarcísio e, posteriormente, na Secretaria de Saúde.
- A Secretaria de Saúde afirmou que o chamamento público para o convênio com o Emílio Ribas respeitou “todas as etapas do processo, a observância de critérios técnicos e o integral cumprimento da legislação vigente e dos princípios da administração pública”.
- Já a Fundação do ABC disse que o “atual presidente foi eleito em dezembro de 2025 pelo Conselho Curador da entidade”. A entidade também afirma que “a alegação de ‘conflito de interesses’ não encontra respaldo na cronologia dos fatos, tampouco se sustenta diante da trajetória institucional da FUABC”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ramiro Brites.





