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Golpes eletrônicos crescem 28% no Acre e ultrapassam 600 casos

Anuário da Segurança Pública aponta aumento dos estelionatos praticados pela internet e por aplicativos, enquanto especialistas orientam população a redobrar os cuidados.

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Os casos de estelionato praticado por meios eletrônicos cresceram 28% no Acre em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento aponta que o estado registrou 605 ocorrências desse tipo de crime no ano passado, contra 473 casos em 2024, um aumento de 132 registros em apenas um ano.

A taxa proporcional também apresentou crescimento significativo, passando de 53,7 para 68,4 ocorrências a cada 100 mil habitantes.

Acre teve uma das menores taxas do país

Apesar da alta registrada, o Acre ainda aparece entre os estados com as menores taxas proporcionais de estelionato eletrônico do Brasil.

O índice acreano foi o sexto menor do país, ficando atrás apenas de:

  • Amazonas: 29,1;
  • Piauí: 33,2;
  • Sergipe: 39,7;
  • Paraíba: 46,4;
  • Pará: 59,3.

Estelionatos em geral tiveram leve queda

Enquanto os golpes praticados pela internet cresceram, o número total de registros de estelionato apresentou redução.

Segundo o anuário, o Acre contabilizou:

  • 6.571 casos em 2024;
  • 6.198 casos em 2025.

Mesmo com a diminuição, o volume de ocorrências permanece acima dos seis mil registros anuais.

O estelionato é o crime de obter vantagem ilícita mediante fraude, induzindo a vítima ao erro para conseguir dinheiro, bens ou qualquer outro benefício. A conduta está prevista no artigo 171 do Código Penal e pode resultar em pena de um a cinco anos de prisão, além de multa.

Golpe da facção continua fazendo vítimas

Entre as modalidades que mais preocupam as autoridades está o chamado golpe da facção, em que criminosos entram em contato com moradores afirmando integrar organizações criminosas e exigem pagamentos sob ameaça.

Uma moradora de Rio Branco relatou ter recebido ligações nas quais os golpistas informaram seu endereço e exigiram o pagamento de R$ 3 mil.

“Me ligaram, falaram o endereço da minha casa, disseram que eram da facção e que eu precisava pagar uma taxa. Fiquei com muito medo, chorei horrores”, contou a vítima.

Segundo especialistas, o medo faz com que muitas vítimas acabem realizando transferências, mas os criminosos costumam continuar exigindo novos pagamentos.

O advogado Kalebh Mota orienta que, diante desse tipo de situação, a principal recomendação é manter a calma.

“A melhor forma de se proteger é não ceder à pressão, evitar fornecer dados pessoais e procurar imediatamente a polícia caso seja alvo de uma tentativa de golpe”, destacou.

Falso advogado também preocupa

Outra modalidade que vem crescendo no estado é o golpe do falso advogado.

No início deste mês, um homem foi preso em Rio Branco acusado de se passar por advogado e perito para aplicar um golpe de R$ 13 mil contra uma idosa de 76 anos.

Segundo a Polícia Civil, ele conquistou a confiança da vítima utilizando documentos falsos e conseguiu obter o dinheiro por meio da fraude.

O delegado Karlesso Nespoli informou que a vítima não conseguiu recuperar os valores e que o suspeito responderá pelo crime de estelionato.

As autoridades reforçam que qualquer solicitação de dinheiro envolvendo processos judiciais deve ser confirmada diretamente com o advogado responsável ou junto ao escritório antes da realização de qualquer pagamento.