Opinião: “Jogada de Risco” tem muito sexo, pouco futebol e o melhor trabalho de Cauã Reymond
Pelo menos neste início, a nova série do Globoplay parece mais interessada em provocar o público com cenas ousadas do que em mergulhar nas histórias que cercam esse universo
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Maurício (Cauã Reymond) com Cris (Mariana Sena) em “Jogada de Risco” (Manoella Mello/Globo)
Os dois primeiros episódios de “Jogada de Risco”, série idealizada e protagonizada por Cauã Reymond no Globoplay, deixam uma sensação curiosa. A produção tem um tema extremamente atraente — os bastidores do futebol —, um elenco afiado e uma direção que sabe criar impacto. Mas, pelo menos neste início, parece mais interessada em provocar o público com cenas de sexo do que em mergulhar nas histórias que cercam esse universo bilionário.
O futebol, por si só, já oferece matéria-prima de sobra para uma boa série. Há empresários disputando jogadores, negociações milionárias, interesses cruzados, famílias influenciando decisões de carreira, atletas lidando com fama precoce e uma indústria que movimenta cifras impressionantes. Tudo isso aparece em “Jogada de Risco”, mas de maneira ainda bastante superficial.
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Os conflitos entre empresários, as passadas de perna nas negociações e as disputas por atletas são apresentados mais como pano de fundo do que como o verdadeiro motor da narrativa. A impressão é que a série prefere concentrar seus esforços em outro aspecto desse universo: os excessos vividos fora dos gramados.
E é justamente aí que está seu principal chamariz.
As cenas de sexo ocupam um espaço enorme nos dois episódios iniciais. Logo no começo, Daniele (Bruna Griphao) protagoniza uma sequência bastante explícita com o jogador Luan (Juan Paiva), em uma cena construída claramente para causar impacto. Mais adiante, a série intercala duas relações sexuais acontecendo simultaneamente: uma entre Daniele e Geraldo (Breno Ferreira), e outra entre Rita (Letícia Colin) e Maurício (Cauã Reymond).
A sensação é que essas sequências não estão ali apenas para desenvolver personagens ou relações, mas também para transformar a ousadia em uma marca da produção.
Essa impressão se reforça em outra cena, passada no vestiário. Durante uma discussão entre jogadores, a direção opta por mostrar um nu frontal masculino. O conflito dramático funcionaria da mesma maneira se os personagens estivessem de toalha, de roupa ou usando uma sunga. A escolha parece existir mais para provocar o espectador do que por uma necessidade da narrativa.
Isso não significa que a série não tenha méritos.
Cauã Reymond entrega uma atuação extremamente segura como Maurício. Natural, maduro e confortável em cena, o ator consegue equilibrar diferentes camadas do personagem sem exageros. É um trabalho consistente e, desde já, um forte candidato a figurar entre os melhores de sua carreira.
O restante do elenco também corresponde. Letícia Colin imprime personalidade à cafetina Rita, Juan Paiva convence como um jovem jogador consumido pelos excessos que cercam o futebol profissional, enquanto Marina Sena, a dedicada e esperta Cris, assume uma importante personagem na história e dá conta do recado com maestria.
Tecnicamente, a série também chama atenção pela boa fotografia, pelo ritmo ágil e pela narrativa dinâmica, favorecida por episódios de cerca de 30 minutos, que passam rapidamente.
Ainda assim, fica a sensação de que “Jogada de Risco” tem potencial para entregar muito mais do que apresentou até agora. O universo do futebol oferece histórias riquíssimas sobre poder, dinheiro, vaidade, corrupção, pressão psicológica e exploração de talentos. São temas que aparecem apenas de passagem nos dois primeiros capítulos.
É cedo para dizer se essa escolha faz parte apenas da apresentação dos personagens ou se representa o caminho que a série seguirá ao longo da temporada. Mas a primeira impressão é clara: “Jogada de Risco” acerta ao reunir um elenco forte e um protagonista em excelente fase, porém ainda aposta mais no impacto das cenas de sexo e nudez do que na complexidade dos bastidores do futebol — justamente o aspecto que desperta maior curiosidade no público.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.





