Alckmin critica declarações de Javier Milei e afirmou que o posicionamento do presidente argentino representa um “desserviço” ao próprio país. A declaração foi feita nesta terça-feira (28), durante o encerramento do evento Brazil-Korea Business Roundtable, realizado em São Paulo.
O vice-presidente da República classificou como “lamentáveis” as manifestações recentes de Javier Milei contra o governo brasileiro e destacou que a postura do presidente argentino não deve comprometer o fortalecimento das relações comerciais no âmbito do Mercosul.
Alckmin critica interferência em assuntos internos
Durante entrevista concedida após o evento, Geraldo Alckmin afirmou que considera inadequada a postura adotada pelo presidente da Argentina.
“É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil”, declarou.
Apesar das críticas, Alckmin ressaltou que o Mercosul atravessa um momento positivo, citando acordos comerciais já concluídos com Singapura, os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a União Europeia, além do interesse da Coreia do Sul em ampliar negociações com o bloco.
Evento discutiu investimentos entre Brasil e Coreia do Sul
As declarações ocorreram durante o Brazil-Korea Business Roundtable, encontro que reuniu representantes dos governos brasileiro e sul-coreano, empresários e autoridades para discutir novos investimentos e parcerias estratégicas.
Segundo Alckmin, Brasil e Coreia do Sul possuem potencial para ampliar significativamente a cooperação econômica.
“Aproximar-nos não é uma opção conveniente, é uma necessidade estratégica”, afirmou.
O vice-presidente também destacou que os dois países podem ampliar investimentos em tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, infraestrutura, energia e indústria.
Comércio entre Brasil e Coreia pode crescer
De acordo com Alckmin, o comércio bilateral movimentou aproximadamente US$ 10,8 bilhões em 2025, enquanto os investimentos sul-coreanos no Brasil somam cerca de US$ 8,9 bilhões.
O vice-presidente afirmou que existe potencial para praticamente dobrar esse volume nos próximos anos.
Além disso, ele defendeu que o Brasil avance na industrialização dos minerais críticos, deixando de exportar apenas matéria-prima.
“Não queremos apenas exportar minério bruto. Queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia”, afirmou.
Café, carne e tecnologia também estiveram na pauta
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que o Brasil ainda ocupa uma participação pequena nas importações sul-coreanas, apesar do potencial existente.
Segundo ele, cerca de 40% do café consumido na Coreia do Sul é produzido no Brasil, principalmente na categoria de cafés especiais.
Também foram discutidos temas como exportação de carnes, biocombustíveis, indústria farmacêutica, tecnologia, defesa, mineração e cooperação aeroespacial entre os dois países.





