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Em grupos de risco, uma gripe simples pode evoluir para pneumonia

Por Bianca Queiroz
Freepik

Muito comum no inverno e no tempo seco, a gripe costuma melhorar em poucos dias com repouso e hidratação. Em algumas pessoas, porém, a infecção pode evoluir para pneumonia, uma complicação que aumenta o risco de internação e pode exigir tratamento imediato.

A evolução acontece quando o vírus provoca lesões nas vias respiratórias ou alcança diretamente os pulmões, favorecendo a entrada de bactérias. Idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas e pacientes imunossuprimidos estão entre os grupos mais vulneráveis.

Segundo o pneumologista Fabricio Sanches, do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, a gripe normalmente fica restrita às vias aéreas superiores, mas o vírus pode comprometer as defesas naturais do organismo e abrir caminho para infecções mais graves.

“O patógeno causa uma lesão no tecido respiratório e altera temporariamente o sistema imune local. Isso facilita a adesão e a proliferação de bactérias que já habitam nossas vias aéreas”, explica.

Além da chamada pneumonia bacteriana secundária, alguns pacientes podem desenvolver pneumonia viral, quando o próprio vírus atinge o tecido pulmonar. O risco é maior entre idosos, crianças menores de 2 anos, gestantes, pessoas com doenças pulmonares, diabetes, doenças cardíacas, insuficiência renal, pacientes em tratamento oncológico, transplantados, pessoas vivendo com HIV e fumantes.

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Piora após melhora é um sinal de alerta

A infectologista Gabriela Leite Camargo, do Pró-Cardíaco, da Rede Américas, explica que é importante ficar atento ao desenvolvimento da infecção.

“Chamamos atenção ao chamado ‘duplo agravamento’: o paciente melhora da gripe por alguns dias e, em seguida, volta a apresentar febre, piora da tosse e do estado geral. Este é um quadro sugestivo de pneumonia bacteriana secundária”, afirma.

Outros sintomas que exigem avaliação médica incluem falta de ar, dor no peito ao respirar ou tossir, febre persistente ou que retorna após um período de melhora, tosse com aumento da secreção, queda da saturação de oxigênio e confusão mental, principalmente em idosos.

Vacinação é a principal forma de prevenção

Para o pneumologista William Schwartz, do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de pneumonia após uma gripe.

“Tudo começa com a vacinação. A vacina da gripe todo ano reduz a chance de complicações e fortalece o organismo contra formas graves da doença”, lembra.

Além da imunização anual contra o influenza, especialistas recomendam que os grupos indicados mantenham a vacinação contra o pneumococo em dia. Também faz diferença controlar doenças crônicas, evitar o tabagismo, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, dormir bem e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou piora do quadro respiratório.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Bianca Queiroz.