@LuisGustavoNova
O delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Henry Galdino, diretor da Divisão de Falsificação e Defraudações (Difraudes/Corf/DPE) e responsável pela investigação da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda., que teria sumido com quase R$ 1 bilhão dos seus investidores, disse que o golpe foi planejado.
Em uma entrevista exclusiva ao Metrópoles, Galdino afirmou que, até o momento, não dá para afirmar se o esquema funcionava como uma pirâmide financeira.
“O que dá para afirmar é que a paralisação repentina (dos pagamento) foi planejada, não foi um mero desacordo comercial entre os clientes e a Naskar. Houve um planejamento, em razão de alguns motivos que nós ainda estamos apurando”, comentou.
Segundo o delegado, as investigações apontaram que o planejamento para o “sumiço do dinheiro” ocorreu há, pelo menos, um ano.
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Ressarcimento
Sobre os bens apreendidos durante a operação que prendeu Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Marcelo Liranco Arantes, o diretor da Difraudes disse que ainda não dá para calcular o valor e se, com ele, será possível ressarcir parte dos prejuízos causados pela Naskar.
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“O fato é que a gente bloqueou muita coisa e continuamos atrás do restante do dinheiro e outros bens. A gente está fazendo todo o possível para recuperar pelo menos parte do dinheiro e amenizar o sofrimento das pessoas”, garantiu.
O delegado também afirmou que a investigação está tentando rastrear para quais caminhos o dinheiro dos investidores seguiu. “Sem dúvida. Inclusive, o Ministério Público (MPDFT) está atuando em conjunto com a PCDF para que seja recuperado o maior valor possível e, assim, conseguirmos ressarcir os clientes”, ressaltou.
“É importante esclarecer aos investidores que sempre desconfiem de falsas promessas. Não existe almoço grátis, não existe milagre. Se te prometem o dobro da média (de ganhos) do mercado, você precisa desconfiar”, alertou.
Em silêncio
Galdino disse ainda que, após as respectivas prisões, nenhum dos sócios da Naskar falou à polícia. “Todos ficaram em silêncio. Seria interessante se eles explicassem como tudo foi feito, mas como eles ficaram em silêncio, a gente vai ter que contar com os outros elementos de prova, como as apreensões de celulares e documentos contábeis”, explicou.
Questionado se há algum indício da existência de um “cabeça” entre os três, o delegado apontou Rogério. “Até porque ele era o que tinha mais influência sobre o grupo, pois tem conhecimento maior do assunto”, observou.
Sobre a possível participação do empresário Douglas Silva de Oliveira no esquema, o diretor da Difraudes afirmou que, na atual fase das investigações, ainda não foram encontrados elementos suficientes que comprovem seu envolvimento.
O caso
- A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
- Por exemplo, se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido;
- Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas. Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;
- Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Sem respostas, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
- A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou o local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9 de maio;
- Cinco dias depois, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado a fintech brasileira por R$ 1,2 bilhão. A Azara supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu;
- A empresa, no entanto, apresentou várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões;
- Em maio, Douglas Silva de Oliveira publicou um vídeo no qual se comprometeu a pagar os valores devidos. Até o momento, porém, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Arthur de Souza.





