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Pesquisadora premiada explica por que Cerrado lidera queimadas

Por Samara Schwingel
Pesquisadora premiada explica por que Cerrado lidera queimadas

Segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) para a 5ª Coleção do MapBiomas Fogo, o Cerrado foi o bioma mais afetado pelo fogo em 2025, com 8,7 milhões de hectares atingidos. Ao Metrópoles, a pesquisadora paraense e diretora da Ciência do Ipam, Ane Alencar, explicou que a grande quantidade de queimadas registradas no bioma é resultado da “ação humana”.

O levantamento feito pelo Ipam, lançado em 21 de julho, apontou que o Cerrado, bioma predominante no Distrito Federal, teve mais área queimada que a Amazônia, onde o fogo atingiu 3,1 milhões de hectares em 2025.

Ane afirmou que, atualmente, “maior parte do fogo no Cerrado tem origem humana principalmente para manejo agropecuário”.

“Nesse contexto, as mudanças climáticas, com secas mais prolongadas e temperaturas mais elevadas, aumentam ainda mais o risco desse uso do fogo gerar grandes incêndios. Por isso, embora o fogo faça parte da ecologia do Cerrado, sua frequência, intensidade e extensão vêm sendo alteradas pela ação humana“, disse.

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da Coluna Grande Angular

A pesquisadora, que integra a lista dos 101 brasileiros moldando o futuro, divulgada pelo O Globo, como destaque ambiental, defendeu que, para reduzir as queimadas no Cerrado é preciso, “investir em prevenção e controle do uso do fogo”.

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“Isso inclui planejamento, identificação das áreas críticas, capacitação de brigadas, boa articulação interinstitucional, incentivo a boas práticas na agropecuária e campanhas de conscientização para evitar o uso inadequado do fogo durante períodos de alto risco e, quando tecnicamente indicado, o uso de queimas prescritas para reduzir o excesso de material combustível. Essas ações diminuem a probabilidade de incêndios de grande proporção, que são os que causam maiores impactos ambientais, econômicos e sociais”, completou.

Ane esclareceu que o fogo não é necessariamente prejudicial ao Cerrado, mas que é preciso diferenciar fogo ecológico dos grandes incêndios.

“O fogo ecológico vai suprir a necessidade de muitas espécies do Cerrado que dependem do fogo para completar o ciclo de vida, e a ausência prolongada de fogo também pode alterar a dinâmica desse ecossistema. O problema são os incêndios intensos, recorrentes ou que ocorrem na época inadequada do ano. Eles podem matar árvores, reduzir a biodiversidade, aumentar as emissões de gases de efeito estufa e comprometer serviços ecossistêmicos importantes, como a proteção dos solos e dos recursos hídricos”, finalizou.

Natural de Belém, no Pará, Ane é graduada em Geografia pela Universidade Federal do Pará, tem mestrado em Sensoriamento Remoto e Sistema de Informação Geográfica pela Universidade de Boston e doutorado em Recursos Florestais e Conservação pela Universidade da Flórida, ambas nos Estados Unidos.

Em 2022, foi premiada pelo Leading Women in Machine Learning for Earth Observation organizado pela Fundação Radiant Eart.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Samara Schwingel.