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Marina ataca gestão ambiental e privatizações de Tarcísio: "Lógica do lucro"

Por Alessandra Ferreira
Malu Lopes/Metrópoles

“[Vejo] com muita preocupação, porque a crise hídrica em São Paulo é desde 2014, e não foi feito nada para resolver o problema de forma estrutural. Pelo contrário, com a privatização da Sabesp, você agravou o problema, porque agora a lógica é do lucro. Em vez de ser de atender a população, inclusive de forma injusta, porque a empresa está preocupada com seus dividendos”.

A concessão da Sabesp foi realizada em 2024, após a empresa Equatorial Participações e Investimentos se tornar a principal investidora com a compra de de 15% de ações da empresa, por R$ 6,9 bilhões. Desde então, a empresa quase dobrou seu lucro, mas viu dispararem as reclamações de consumidores relacionadas a cobranças em plataforma na internet. Com a crise hídrica, a Sabesp reduziu, em agosto de 2025, a pressão do abastecimento de água em toda a região metropolitana de São Paulo como uma medida para mitigar os efeitos da crise hídrica. Atualmente, a restrição acontece entre 19h e 5h.

“É papel do Estado o atendimento de serviços e isso não tem nada a ver com não fazer parceria com a iniciativa privada. É que tem coisa que é responsabilidade do Estado. Quem não quer trabalhar para a sociedade, fique na iniciativa privada, não vem ocupar o Estado brasileiro”, afirmou Marina. “Eu não sou favorável ao Estado provedor, que faz tudo e ainda faz o resto, e muito menos o Estado puramente regulador, que entrega tudo e ainda entrega o resto. Eu sou a favor do Estado mobilizador, que é capaz de mobilizar o que há de melhor de si mesmo.

Uma das promessas do candidato ao governo pelo PT, Fernando Haddad — de quem Marina faz parte da chapa — é a revisão de contratos assinados pela gestão de Tarcísio de Freitas, incluindo a Sabesp. Marina destacou ainda que a medida é importante já que “a crise hídrica no contexto da mudança do clima só vai se agravar”.

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Marina Silva é candidata ao Senado por São Paulo pelo Rede Sustentabilidade

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Marina Silva no Metrópoles Entrevista

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Foi senadora pelo Acre, disputou a Presidência da República em três eleições

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Marina Silva em entrevista em São Paulo

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Natural do Acre, Marina é uma das principais lideranças ambientalistas do país

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Ela comandou o Ministério do Meio Ambiente em dois períodos: de 2003 a 2008 e de 2023 a 2026

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Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado por São Paulo, em entrevista ao Metrópoles com as repórteres Rebeca Ligabue e Alessandra Ferreira

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Marina Silva integra a chapa do presidente Lula nas eleições deste ano

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Novo Tarifaço

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do Metrópoles SP

Após a nova sobretaxa de 25%, o governador de São Paulo afirmou que as negociações devem continuar em andamento e que ela deveria ter sido prevista pelo governo. Segundo cálculos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apontam que São Paulo, um dos estados brasileiros mais impactados pela medida, pode deixar de movimentar US$ 3 bilhões.

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Candidata ao Senado, Marina afirmou ter visitado as regiões de Jales e Franca, no interior de São Paulo, onde há indústrias que receberam a sobretaxa americana. “Todos os industriais da indústria calçadista, as pessoas que trabalham nessa atividade, [estão] totalmente preocupadas com esse tarifaço que incidiu sobre a agricultura, sobre o nosso etanol, nossos biocombustíveis, sobre autopeças, sobre caldeiras, sobre o café”, disse.

“Quando o governador Tarcísio foi perguntado o que ele ia fazer para combater o tarifaço, ele disse que isso não era um problema dele. Por acaso, perder US$ 4 bilhões, isso não é um problema do governador do estado de São Paulo? Perder os empregos produzidos pela produção de álcool, perder os empregos da indústria calçadista, perder os empregos da indústria de autopeças, isso não é um problema do governo do estado?”, questionou Marina.

No último dia 22, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma medida provisória (MP) que prevê R$ 18,5 bilhões em apoio a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). Os recursos, voltados ao financiamento, fazem parte da terceira fase do plano Brasil Soberano.

Relações com Argentina

A ex-ministra ainda comentou as declarações do presidente argentino Javier Milei durante a passagem dele pelo Brasil no último fim de semana, para a convenção nacional do PL onde a candidatura do senador Flávio Bolsonaro foi oficializada. Milei também recebeu de Tarcísio a Ordem do Ipiranga, a maior honraria concedida pelo governo do Estado de São Paulo.

“Quando o Milei vem aqui e ataca o presidente Lula e o ministro do Supremo [Alexandre de Moraes], ele não está atacando uma pessoa, ele está atacando o estado brasileiro, a instituição Presidência da República. Ele pode apoiar tranquilamente o candidato dele, porque afinal de contas eles pensam igual, são entreguistas iguais, subservientes ao governo Trump iguais”, afirmou.

Apesar das falas de Milei, o Ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, descartou, na última quarta-feira (29/7), a possibilidade de romper relações diplomáticas com o Brasil em meio à crise provocada. Segundo o chanceler, apesar das diferenças políticas entre Milei e Lula, o episódio não deve comprometer a relação institucional entre os dois países.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alessandra Ferreira.