Desde março, o colegiado tem iniciado o ciclo de flexibilização monetária, reduzindo 0,25% por reunião. O corte foi o primeiro desde 2024 e reduziu a Selic de 15%, patamar em que esteve por período prolongado, para 14,75%.
Segundo os membros do comitê, a política monetária se manteve em período contracionista por tempo o suficiente para levar a trajetória da inflação para a meta, de 3% ao ano, com banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.
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De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na semana passada, a inflação do acumulado de 12 meses está em 4,22%, abaixo do teto da meta. Em agosto, houve um recuo de 0,32%, maior do que o esperado pelo mercado.
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do Metrópoles
O dado pode pressionar o comitê a manter o ciclo de flexibilização monetária mesmo em cenário de incerteza externa, motivado principalmente pelos conflitos no Oriente Médio.
Especialistas acreditam espaço para mais um corte nesta quarta, levando a Selic a 13,75%, patamar em que, segundo economistas, deve se manter até o final do ano.
Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, o cenário é compatível com uma queda adicional da Selic para 13,75%.
“O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista”, afirmou.
Para o Banco Daycoval, no entanto, a expectativa é de queda da Selic nesta reunião com possibilidade de manutenção do ciclo de corte de juros.
“O Comitê deve continuar reafirmando a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária, sobretudo num ambiente de elevada incerteza. Embora nosso cenário-base contemple uma pausa no ciclo de calibração para reavaliação do balanço de riscos, o comitê não deve se comprometer com nenhum movimento no futuro, deixando as portas abertas”, disse.
Decisão do Copom
As projeções indicam um novo corte de juros, mas o colegiado evitou dar informações sobre a direção que deve tomar nas últimas comunicações.
A última ata da reunião, divulgada em meados de agosto, afirmou que, no contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, “o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
A autoridade monetária afirmou também que o Copom não deve reagir aos efeitos primários dos choques de preço, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem.
Entenda o que é o Copom
- O Comitê de Política Monetária é o órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic.
- O grupo usa a Selic para controlar a inflação: quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir.
- O Copom é formado pelo presidente do BC e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação.
- O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa.
Diretoria do BC
Desde o dia 31 de dezembro de 2025, a diretoria do BC está desfalcada, com dois diretores a menos. As duas vagas para o BC são na diretoria de Organização do Sistema Financeiro e na diretoria de Política Econômica.
Os antigos diretores foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve indicar dois novos nomes e, caso sejam aceitos pelo Senado Federal, o Copom deve ser composto inteiramente por nomes apontados pelo governo.
No entanto, Lula ainda não tratou sobre o assunto com seus interlocutores próximos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já afirmou publicamente que não conversou com o presidente sobre o assunto, mas que estará pronto para sugerir nomes caso seja consultado.
Lula só deve indicar os nomes após as eleições, portanto, é provável que o colegiado fique desfalcado durante todo o ano, isso porque a próxima reunião deve acontecer no começo de novembro, logo após o segundo turno e resultado definitivo, nos dias 3 e 4 de novembro.
A reunião seguinte e último encontro do ano acontecerá nos dias 8 e 9 de dezembro. Apesar disso, em caso de vitória de um candidato que não seja Lula, o atual presidente deve optar por não encaminhar nenhuma indicação, deixando os nomes em aberto a cargo do presidente eleito.
Em caso de vitória de Lula, o presidente deve dar prioridade para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula já indicou o nome de Jorge Messias, advogado-geral da União, que teve o nome negado pelo plenário.
Caso Lula seja reeleito e opte por fazer as indicações à diretoria do BC nos primeiros dias de novembro, os indicados terão pouco mais de um mês para passarem por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e, se aprovados, assumirem o cargo.
No entanto, é prática comum que indicados passem pela fase de “beija-mãos”, período em que transitam pelos gabinetes de senadores para que sejam conhecidos e ouçam a interlocução das autoridades.
A indicação é especialmente sensível pelo momento que a autoridade monetária vive, com o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que atingiu membros do alto escalão do BC.
Confira os integrantes do BC indicados por Lula:
- Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
- Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
- Gilneu Vivan – diretor de Regulação e Organização do Sistema Financeiro;
- Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
- Nilton David – diretor de Política Monetária;
- Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos e Diretor de Política Econômica;
- Rodrigo Alves Teixeira – diretor de Administração.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Pereira.




