Quantas vezes o ministro Alexandre de Moraes já não ouviu o conselho de fazer vista grossa para os sucessivos atos de desrespeito dos Bolsonaro às medidas restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao chefe do clã? Julgado, condenado e preso em sua residência por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e danos ao patrimônio histórico, ele segue sob a mira da Corte.
Punir tais atos, a essa altura, só beneficiará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República — é o que Moraes escuta em silêncio e, às vezes, rebate. Em tese, não cabe a ele, nem a nenhum juiz na aplicação de penas, levar em conta a conjuntura política. Se algo, à luz das leis, requer punição, não o fazer beneficiaria diretamente o infrator.
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do Metrópoles
Em resposta às transgressões, Moraes suspendeu as visitas a Bolsonaro durante 30 dias e, no caso de Flávio, até o fim das eleições. Ontem, sua decisão foi reafirmada ao ser provocado por um pedido da defesa para que o condenado recebesse a visita dos filhos no Dia dos Pais.
Moraes fez bem ou mal ao agir assim? Flávio se beneficiará politicamente disso? É o que mais importa a 56 dias do primeiro turno das próximas eleições? Ou as leis valem para todos, ou elas simplesmente não deveriam existir.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.




