O Acre está entre os quatro estados brasileiros com aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco, segundo o novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (24).
Além do crescimento geral dos casos graves de doenças respiratórias, o levantamento aponta uma elevação dos registros de SRAG associados à Covid-19 no Acre. Apesar da tendência de alta, a incidência de casos graves provocados pelo coronavírus permanece em nível considerado baixo.
Para classificar a situação, o InfoGripe considera a incidência registrada nas duas semanas mais recentes e a tendência observada ao longo das últimas seis semanas epidemiológicas.
Apesar dos aumentos localizados, o cenário nacional apresenta tendência de queda no longo prazo nos casos graves de doenças respiratórias. Nas três semanas mais recentes, entretanto, os registros indicam estabilização ou oscilações.
De acordo com os pesquisadores do InfoGripe, o crescimento observado nos estados em situação de alerta está relacionado principalmente à circulação do rinovírus, com maior impacto entre crianças e adolescentes. Em Sergipe e no Rio Grande do Sul, o metapneumovírus também aparece entre os agentes associados ao aumento.
No Acre, o boletim chama atenção especificamente para o crescimento dos casos graves relacionados à Covid-19.
Outros cinco estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem tendência de crescimento no longo prazo. São eles Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima e Santa Catarina.
O boletim também mostra diferenças importantes entre as faixas etárias. Nas últimas oito semanas epidemiológicas, a maior incidência de SRAG foi registrada entre crianças de até 2 anos, principalmente em casos associados ao vírus sincicial respiratório (VSR) e ao rinovírus.
Entre as pessoas com 65 anos ou mais, a mortalidade foi maior. Nessa faixa etária, os principais agentes associados aos óbitos foram VSR, rinovírus e influenza A.
Os casos graves provocados pelo VSR seguem em queda ou estáveis em níveis baixos na maior parte do país. Roraima é a única unidade da Federação que ainda apresenta incidência elevada, embora também esteja em tendência de redução.
Desde o início do ano epidemiológico, o Brasil contabilizou 154.358 notificações de SRAG. Desse total, 83.260 casos (53,9%) tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, enquanto 55.256 (35,8%) apresentaram resultado negativo. Outros 7.101 casos (4,6%) ainda aguardavam resultado laboratorial.
Entre os casos positivos registrados em 2026, o VSR foi o vírus mais frequente, seguido pelo rinovírus. A distribuição apresentada pelo boletim é de 40,8% para VSR, 31,7% para rinovírus, 16,7% para influenza A, 5,5% para influenza B e 3,8% para Covid-19.
O Brasil também contabilizou 6.866 mortes por SRAG em 2026. Entre os óbitos com resultado positivo para vírus respiratórios, a influenza A teve a maior participação, com 35,1%, seguida pelo rinovírus, com 23%, e pelo VSR, com 16,5%.
Diante do crescimento dos casos graves em estados como o Acre, os pesquisadores da Fiocruz recomendam a manutenção de medidas para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Entre as orientações estão cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas, permanecer em casa quando estiver doente e utilizar máscara de boa qualidade quando for necessário sair com sintomas respiratórios.
A Fiocruz também recomenda manter a vacinação em dia, especialmente para os grupos que possuem indicação de imunização contra doenças respiratórias.




