O Acre está parecendo o sexto círculo do Inferno. Na famosa obra de Dante Alighieri, A Divina Comédia, “O Cemitério de Fogo” era destinado aos hereges, confinados em túmulos eternamente flamejantes. É o caso de tentarmos uma soneca à tarde, com a sensação de labaredas de fogo sendo expelidas pelos ventiladores, uma experiência muito normal no Acre e outros estados amazônicos.
A concentração de fumaça em 2022 tem sido a pior dos últimos quatro anos, segundo o pesquisador e doutor em Ciências Ambientais, Foster Brown. Em entrevista recente ao Jornal A Gazeta do Acre, informou o que isso significa, na prática: “Atualmente, passamos cerca de um mês com valores diários acima do limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Sabemos que, além dos efeitos imediatos na população, a fumaça, penetrando nos pulmões das pessoas, causa problemas de desenvolvimento fetal e desenvolvimento de crianças, além de aumentar as chances de câncer, problemas cardíacos e aumento de demência em idosos”, conclui.
A cereja deste bolo só podia ser o Rio Acre. Ontem, 2 de setembro, o rio teve seu pior nível dos últimos sete anos, marcando apenas 1,3 metros neste domingo e demonstrando que, atualmente, pode baixar em até 12 cm em uma simples semana. Segundo a Defesa Civil Municipal de Rio Branco, não há previsão de chuvas para resolver o problema. Como diz o dito popular, “Só Deus na causa”, ou algumas chuvas, se formos pensar em resolução a curto ou médio prazo. Os hereges que se cuidem, porque a natureza não brinca em serviço.




