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Alan Rick promete parceria que já existe: Acre mantém operações integradas com Bolívia e Peru

Estado também atua com forças federais, compartilha informações de inteligência e ampliou o cerco eletrônico para combater o tráfico de drogas e os furtos de veículos

Redação Por

A cooperação internacional defendida pelo candidato Alan Rick (Republicanos) para enfrentar o tráfico de drogas e os furtos de veículos não parte de um cenário de ausência de atuação nas fronteiras. O Acre já participa de operações espelhadas com Bolívia e Peru, além de manter ações integradas com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Exército Brasileiro.

A proposta foi apresentada por Alan durante a sabatina da TV Rio Branco, nesta terça-feira (25). Segundo ele, seria necessário estabelecer diálogo com o governo boliviano para combater crimes transfronteiriços. Atualmente, mecanismos de cooperação operacional e compartilhamento de informações já fazem parte da política estadual de segurança.

De acordo com o dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, nos últimos 4 meses foram desencadeadas 19 operações, que reuniram mais de 25 mil ações em todo o estado. Entre elas estão operações combinadas com o Exército e ações espelhadas realizadas com a participação de forças dos países vizinhos.

Essa atuação está concentrada principalmente no combate ao tráfico de drogas e a outros crimes praticados nas regiões de fronteira. Conforme os dados oficiais, quase cinco toneladas de entorpecentes foram apreendidas entre 2023 e agosto de 2026.

Somente neste ano, o volume já ultrapassou duas toneladas, maior resultado da série histórica. A quantidade apreendida em 2026 representa crescimento de 64,49% em relação a 2023 e de 154,66% na comparação com 2025.

Inteligência e cooperação
O Acre também integra o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), rede que reúne órgãos responsáveis pelo planejamento e pela execução de atividades de inteligência e contrainteligência no país.

Por meio dessa integração, as forças acreanas compartilham informações com instituições estaduais e federais e disponibilizam plataformas para consultas e identificação de pessoas e veículos. O acesso às ferramentas alcança órgãos federais e instituições de outros estados.

O Estado possui ainda representação no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), estrutura voltada à integração das forças que atuam na região. Essa participação permite ampliar operações de segurança e de proteção ambiental, inclusive em áreas indígenas.

Já foram realizadas ações na região do rio Amônia, em terras indígenas de Porto Walter e no território do povo Ashaninka. Desde 2023, o governo estadual também mantém parceria com o Ministério da Justiça para a presença de efetivos da Força Nacional de Segurança Pública no Acre, com atenção especial às áreas de fronteira.

Cerco eletrônico contra furtos de veículos
A identificação de veículos, outro ponto mencionado por Alan Rick, também integra as ações em andamento. O cerco eletrônico foi levado a todas as regionais do Acre, com estruturas instaladas em municípios como Bujari, Xapuri e Cruzeiro do Sul.

Ao todo, mais de 798 câmeras estão em funcionamento no sistema estadual e na estrutura mantida em parceria com a Prefeitura de Rio Branco. Há previsão de ampliação do monitoramento para outras áreas do estado.

Segundo a Sejusp, o uso das câmeras e o compartilhamento das informações contribuíram para reduzir roubos e furtos, especialmente os furtos de veículos, além de apoiar a identificação de suspeitos e aumentar a capacidade de elucidação de crimes.

Investimentos e qualificação
O balanço da segurança pública também aponta aproximadamente R$ 16 milhões investidos no Centro Integrado de Ensino e Pesquisa em Segurança Pública e Justiça. Os recursos contemplam cursos de formação e aperfeiçoamento, além de programas de mestrado e MBA.

Mais de quatro mil vagas foram ofertadas e preenchidas por servidores durante o período. Na área de treinamento especializado, mais de 230 policiais participaram de capacitações SWAT realizadas nos Estados Unidos.

Outro investimento foi a implantação de um estande de tiro indoor e modular, com aproximadamente R$ 9 milhões aplicados. Considerada pelo governo a maior estrutura brasileira nesse formato, a unidade oferece tecnologia e melhores condições de treinamento aos profissionais da segurança pública.

O aparelhamento das corporações incluiu ainda a aquisição de viaturas, equipamentos, armamentos e itens de proteção. No período, foram entregues 2.379 pistolas Glock, adquiridas com investimento de R$ 4 milhões, além de 1.272 coletes balísticos com garantia de dez anos, que receberam outros R$ 6 milhões.

Indicadores disponíveis ao público
Desde 2023, os índices criminais passaram a ser disponibilizados no site da Sejusp. A medida permite que a população acompanhe a evolução das ocorrências e os resultados das ações adotadas pelo Estado.

Conforme o balanço oficial, o Acre apresenta atualmente seus melhores indicadores criminais desde 2015. O governo relaciona o resultado ao planejamento das operações, aos investimentos em tecnologia e equipamentos, à recomposição do efetivo e à qualificação dos profissionais.

Enquanto o candidato Alan Rick promete estabelecer cooperação, o Acre já realiza operações espelhadas, integra estruturas nacionais e internacionais de inteligência e mantém ações conjuntas com forças estaduais, federais e dos países vizinhos.